Despedimentos I

O Governo de José Sócrates continua diligente na sua vocação maior – a de satisfazer os desejos do patronato e do grande capital. A sua mais recente performance neste ramo das satisfações focou-se nos despedimentos, que o patronato quer «actualizar» com os parceiros europeus, nomeadamente com os de Espanha, reduzindo drasticamente as indemnizações a pagar aos trabalhadores. Sempre com o pretexto da crise, o patronato exige agora que as indemnizações a pagar aos despedidos contemplem apenas 20 dias de trabalho (até agora são um mês por cada ano de serviço) e num máximo de doze meses (até agora são contados todos os anos de serviço). O Governo já fez suas estas exigências e apresentou-as, como proposta, numa reunião de concertação social, assumindo igualmente a insolente argumentação de que pretende «salvaguardar os postos de trabalho».

É em cada um destes actos do Governo Sócrates que se vê o que valem as suas promessas e louvores ao «Estado Social».

 

Despedimentos II

 

É claro que, neste lance da redução das indemnizações em caso de despedimento, a UGT já se posicionou para cumprir o seu papel: após advertir que «está aberta a negociações» nesta matéria, respingou umas patacoadas acerca do ordenado mínimo em Espanha para fingir que se opunha a qualquer coisa. É claro que o passo seguinte será o de aprovar o que o Governo propõe e os patrões mandam, como de costume.

É também em cada um destes actos concretos da UGT que se vê o que vale o seu sindicalismo, tal como os interesses que defende.

 

Pensões

 

Entretanto, foi também notícia esta semana que a Segurança Social está a pagar com um atraso de seis meses os novos recursos ao Fundo de garantia de Alimentos Devidos a Menores, que substitui os pais que deixaram de pagar a pensão de alimentos aos filhos.

Portanto, ao Governo de Sócrates não basta cortar os já magros apoios a famílias em dificuldades, agora também sonega alimentos a menores desamparados de apoios parentais.

Já agora, o que supõe o Governo que acontecerá com estes atrasos de seis meses nos pagamentos ao Fundo de Garantia de Alimentos Devidos a Menores? Espera que as instituições com esta tarefa mandem as crianças comer fiado ao restaurante?

A insensibilidade desta gente é tão grotesca e chocante como a sua inesgotável demagogia.

 

Comboios

 

Ascende a cinco por cento, o aumento de preço dos bilhetes dos comboios que fazem as ligações regionais entre Faro e Vila Real de Santo António. É uma exorbitância, mesmo na voragem de aumentos promovida pelos PEC governamentais, onde o custo dos transportes sofrem aumentos apesar de tudo mais modestos. Mas a CP tem uma explicação para o caso: este aumento brutal de 5% deve-se ao facto de estas ligações passarem a ser feitas por automotoras com ar condicionado!

Ah sim? Então agora os investimentos em equipamentos passam também a ser taxados suplementarmente? Se assim é, um dia destes a elementar manutenção das linhas começará também a ser taxada directamente nas bilheteiras, troço a troço, linha a linha, viga a viga...



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