Faleceu Joaquim Gomes

Uma vida dedicada à luta pelo socialismo

No funeral de Joaquim Gomes, realizado no domingo, no qual compareceram centenas de camaradas e amigos, Jerónimo de Sousa destacou o exemplo do militante «modesto e discreto» que dedicou toda a sua vida à luta pela liberdade e contra o fascismo, pelo socialismo e pelo comunismo.

 

Joaquim Gomes desempenhou todas as tarefas com enorme entrega

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A morte de Joaquim Gomes, no sábado, aos 93 anos, apanhou de surpresa os militantes do Partido, sobretudo os que desempenhavam as suas tarefas no Centro de Trabalho da Soeiro Pereira Gomes. Ainda na véspera, como aliás todos os dias, tinha lá estado, igual a sempre – afável e cordial. Pelo local onde o corpo do histórico dirigente comunista esteve em câmara ardente desde o início da noite passaram muitas centenas de camaradas e amigos – muitos dos quais vindos directamente da manifestação «Paz Sim! NATO Não!» que nessa tarde encheu Lisboa (ver páginas centrais). Francisco Lopes, dirigente do Partido e candidato à Presidência da República, foi um dos que fez questão de marcar presença, apesar da sua exigente agenda.

No funeral, o Secretário-geral do Partido, Jerónimo de Sousa, fez uma muito sentida intervenção, destacando o percurso ímpar e o exemplo combativo que Joaquim Gomes deixa para as gerações que terão a responsabilidade de prosseguir a luta a que o histórico militante do PCP falecido no sábado dedicou toda a sua vida.

Na ocasião, Jerónimo de Sousa realçou uma «vida inteira entregue à luta contra o fascismo, pela liberdade, contra a exploração capitalista, pela democracia, a paz, o socialismo e o comunismo», endereçando à sua companheira de sempre, Maria da Piedade Gomes, sentada a poucos metros de distância, um «abraço sentido e fraterno».

 

Um militante modesto e discreto

 

Referindo-se aos aspectos centrais da biografia do histórico dirigente comunista (citando a nota do Secretariado do Comité Central, que publicamos nesta página), Jerónimo de Sousa destacou que Joaquim Gomes foi um dos homens «a quem não deixaram que fosse menino», pois com apenas 6 anos «já era operário aprendiz na indústria vidreira das fábricas da Marinha Grande». Após destacar os seus primeiros passos na luta revolucionária e antifascista, Jerónimo de Sousa lembrou que «por parte dessa Europa, e em Portugal também, os anos 30 foram tempos sombrios de avanço do fascismo e do nazismo».

Depois de lembrar as tarefas desempenhadas por Joaquim Gomes antes e depois do 25 de Abril, as suas prisões e fugas, o Secretário-geral do Partido afirmou que «quem privou e trabalhou com Joaquim Gomes sabe que era um homem modesto e discreto, que desempenhou com a mesma determinação e inabalável convicção revolucionária com que aderiu ao Partido responsabilidades no âmbito da Comissão Administrativa e Financeira e da Comissão de Património Central até ao fim dos seus dias». Ainda anteontem, recordou, «estivemos juntos a dar-nos estímulos para prosseguir a luta».

Para Jerónimo de Sousa, a despedida a Joaquim Gomes «mais do que um adeus será, como Joaquim Gomes gostaria que fosse, um reafirmar da nossa disposição colectiva para prosseguirmos o seu exemplo e marcarmos presença nas muitas lutas que ontem partilhámos e que é preciso prosseguir para que os ideais da liberdade, da democracia e do socialismo que animaram a sua acção revolucionária tenham concretização».

 

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Um percurso exemplar

 

Evocar a sua vida é trazer para os dias presentes e futuros um «percurso de vida exemplar, um trajecto de dedicação e coragem posta ao serviço da causa da classe operária, dos trabalhadores e do povo português, uma marca imperecível que Joaquim Gomes partilha com uma geração heróica de militantes comunistas a quem o País deve a liberdade e Abril». Um percurso de vida que, prosseguiu o dirigente comunista, «se funde com a vida do Partido, parte integrante daquela gesta de lutadores revolucionários que fazendo parte da história do Partido são simultaneamente protagonistas do heróico percurso da luta da classe operária, dos trabalhadores e do povo contra a tirania fascista, pela liberdade e a dignidade humana».

«Deixando a vida, o camarada Joaquim Gomes deixou-nos num tempo onde o combate é mais exigente, por vezes bem difícil, neste confronto com aqueles que inscrevem nos seus objectivos a subversão dos valores de Abril, a liquidação das conquistas económicas e sociais e o empurrar o País para o retrocesso restaurar as injustiças e aumentar a exploração dos trabalhadores! Mas aquilo que animou, formou e forjou o camarada Joaquim Gomes é aquilo que nos anima, forma e nos dá têmpera! Prosseguir a luta, manter o nosso projecto e ideal comunista, lutar, lutar sempre, com aquela convicção e determinação que emana do nosso grande colectivo partidário, renovando e rejuvenescendo as nossas fileiras, sem nunca esquecer quanta força nos dá o exemplo que Joaquim Gomes nos legou. Descansa, camarada, que assim faremos!»

 

Nota do Secretariado do Comité Central do PCP

Coragem e abnegação revolucionária

 

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O Secretariado do Comité Central do Partido Comunista Português informa, com profunda mágoa e tristeza, o falecimento hoje, dia 20 de Novembro, aos 93 anos de idade, de Joaquim Gomes, um dos mais destacados dirigentes comunistas da história do PCP, que dedicou toda a sua vida à luta da classe operária, dos trabalhadores e do povo português. Uma vida dedicada à luta contra o fascismo, pela liberdade, contra a exploração capitalista, pela democracia, a paz, o socialismo e o comunismo.

Nascido a 9 de Março de 1917 na Marinha Grande, Joaquim Gomes tornou-se operário aprendiz na indústria vidreira, com apenas 6 anos de idade.

É também muito jovem, durante a década de trinta, que inicia a sua actividade de militante comunista, tendo ingressado aos 14 anos na Federação da Juventude Comunista Portuguesa e, em Março de 1934, no Partido Comunista Português, passando imediatamente a fazer parte do Comité Local da Marinha Grande do PCP.

Foi aí que encabeçou as primeiras lutas dos aprendizes por reivindicações salariais e contra o trabalho violento e as arbitrariedades do patronato. É no desenvolvimento destas lutas, que vieram a ter expressão revolucionária na histórica insurreição de 18 de Janeiro de 1934 contra a fascização dos sindicatos, que Joaquim Gomes é preso pela primeira vez em fins de Novembro de 1933, tinha então 16 anos.

Após a sua libertação em Março de 1934, desempenhou importante papel na reactivação da organização do Partido na Marinha Grande e na solidariedade aos presos do 18 de Janeiro.

A partir dos finais dos anos 30 passou a desempenhar tarefas ligadas à distribuição da imprensa partidária e às casas de apoio à Direcção do Partido.

Em 1952 passa à clandestinidade e entra para o Comité Local de Lisboa. Em 1955 torna-se membro suplente do Comité Central e dois anos depois passa a membro efectivo. Em 1963 integra a Comissão Executiva do Comité Central e posteriormente a Comissão Política.

Foi preso por três vezes pela PIDE e por duas vezes fugiu da cadeia. Uma das suas fugas foi a célebre fuga de Peniche, com Álvaro Cunhal, Jaime Serra, Carlos Costa e outros destacados militantes do Partido.

Depois da revolução de Abril e até ao XV Congresso em 1996 foi membro do Comité Central, tendo mantido as suas responsabilidades como membro do Secretariado e da Comissão Política até ao XIV Congresso em 1992, altura em que foi eleito membro da Comissão Central de Controlo. Exerceu responsabilidades no âmbito da Comissão Administrativa e Financeira e da Comissão de Património Central até ao fim da sua vida.

Foi deputado eleito pelo Distrito de Leiria entre 1976 e 1987.

Modesto e discreto, Joaquim Gomes deixa-nos recordações de uma vida de dedicação e de exemplo da resistência ao fascismo, de luta pela liberdade, a democracia e o socialismo.

 Joaquim Gomes lega-nos um exemplo de coragem e abnegação revolucionária, reveladoras da vontade e firmeza inquebrantável na luta ao serviço da classe operária, do povo e da pátria.

O Secretariado do Comité Central endereça à camarada Maria da Piedade Gomes e restante família as suas sentidas condolências.

 



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