- Edição Nº1925  -  21-10-2010

Arrábida a Património da Humanidade
PCP promove candidatura

O PCP promoveu, anteontem, uma iniciativa de apoio à candidatura da Arrábida a Património Mundial. Jerónimo de Sousa sublinhou o potencial do território e defendeu «o uso mais racional e estratégico dos seus recursos naturais».

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Prosseguindo o conjunto de iniciativas desenvolvidas no âmbito da defesa e valorização daquele património, dirigentes do Partido, eleitos na Assembleia da República (AR) e nas autarquias locais e outros convidados - entre os quais professores universitários, investigadores e responsáveis do Museu de Arqueologia e Etnografia de Setúbal e do Parque Natural - visitaram, terça-feira, a Serra da Arrábida, aprofundando o conhecimento sobre as dificuldades e mais-valias persistentes.

A iniciativa percorreu os três concelhos que partilham o território, por isso, na intervenção de encerramento, o Secretário-geral do PCP lembrou «o enorme esforço que um conjunto de entidades sediadas nesta região e fora dela têm vindo a desenvolver com vista à promoção da candidatura da Arrábida a Património da Humanidade», com destaque para a Associação de Municípios de Setúbal e para «todos os parceiros envolvidos directamente ao nível da Comissão Executiva: CM Palmela, CM Sesimbra, CM Setúbal e Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade».

Jerónimo de Sousa valorizou, igualmente, «as parcerias estabelecidas no âmbito da candidatura com as instituições académicas e científicas».

Culminando um dia inteiro de intenso trabalho, o dirigente comunista lembrou ainda que o PCP apresentou, em Julho, na AR, um projecto com o objectivo de promover o alargamento do apoio à candidatura da Arrábida a Património da Humanidade.

 

Potencial estratégico

 

«Do Castelo de Palmela ao Cabo Espichel encontra-se uma extensão de inestimável riqueza, plena de beleza e de espanto». «Potencial científico, humano, natural, social, cultural e económico» cuja «consagração como património de toda a Humanidade pode contribuir para a sua preservação sem penalização das actividades tradicionais», promovendo «um uso mais racional e estratégico dos seus recursos naturais, devidamente enquadrado na acção das autarquias e do Estado».

Tal, continuou Jerónimo de Sousa, pode abrir «caminho a um rumo de desenvolvimento que se liberte da exploração e da destruição, ainda que gradual e dissimulada, dos recursos que compõem a magnífica Cordilheira da Arrábida, sem que, no entanto, dessa opção decorra qualquer perda para o tecido económico e produtivo, antes pelo contrário, o reoriente para a exploração justa e sustentável da riqueza que a Arrábida nos dá».

«No essencial, o Parque Natural da Arrábida tem sido sujeito a uma situação que resulta da falta de investimento real na conservação da natureza, na manutenção e protecção dos valores biológicos e geológicos e da dualidade de critérios políticos que continuam a permitir a utilização de co-inceneração de resíduos industriais perigosos e a estimular, em vez de ir contendo, o desenvolvimento de indústria pesada e extractiva na Serra ou no seu perímetro próximo, enquanto proíbe e penaliza em muitos aspectos a população habitante e muitos visitantes», considerou ainda o secretário geral do PCP.

«Por isso, entre outros aspectos, temos defendido que se abra o processo de revisão de Plano de Ordenamento do Parque Natural», afirmou, destacando a necessidade da «defesa das actividades que servem as populações e garantem o seu modo de vida».

«Num quadro de crise em que tudo afunila para o capital financeiro, a Arrábida é um exemplo vivo de que Portugal tem potencialidades de encetar um rumo estratégico de desenvolvimento, bem estar e progresso para o seu povo», concluiu.