O Governo quer agora responsabilizar a meteorologia
PCP sobre os incêndios de Julho
Falta prevenção na floresta

Não estão resolvidos os problemas estruturais da floresta portuguesa, salienta o PCP, que comentou ontem o balanço dos incêndios ocorridos na segunda metade de Julho.

Esta vaga de incêndios vem na continuidade do sucedido no ano passado, em que arderam 87 mil hectares - assinalou Agostinho Lopes, membro do Comité Central do Partido e deputado à Assembleia da República, que ao final da manhã adiantou ao Avante! algumas das ideias que iria expor horas depois em conferência de imprensa.

Perante o aumento do número de ocorrências e da área ardida, da dimensão e da duração de alguns dos incêndios florestais, o ministro e o secretário de Estado da Administração Interna - que são os principais responsáveis pelo Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios - começam a convocar as condições de temperatura e humidade. «Estamos perante a recusa de assumir a responsabilidade política pelo factor essencial dos incêndios florestais, que é o estado da floresta portuguesa, a que se devem juntar cortes de verbas impostos no PEC, como sucede nas áreas protegidas», acusa Agostinho Lopes, notando que esses mesmos personagens «ainda em 2007 e 2008, anos de baixos índices de risco, atribuíam ao Governo o sucesso que representavam aqueles verões com menos fogos e menos área ardida».

Ao fazer estas afirmações, «não se põe em causa as melhorias verificadas no dispositivo de combate aos incêndios». O PCP admite que, depois de anos de política de direita de sucessivos governos, marcados pela incúria e subestimação e pelos anos calamitosos de 2003 e 2005, «foi possível um investimento público, mesmo que insuficiente, e o envolvimento de bombeiros, municípios, departamentos florestais, universitários e outros, para caminhar no sentido de respostas adequadas a um combate eficiente».

«Mas a situação está longe de estar resolvida, como os incêndios florestais de 2009 e aquilo que vimos em Julho demonstram à saciedade», porque não houve avanços nas questões estruturais. Agostinho Lopes refere, em especial, a chamada prevenção estrutural. E não está resolvida também «devido a políticas agro-florestais desastrosas, que repetem e agravam as dos últimos 30 anos e estão hoje fortemente condicionadas pela contenção orçamental».

Esta «contenção» atinge o investimento na floresta, prejudica o ordenamento florestal, fragiliza o aparelho de Estado para as florestas - e estes efeitos acabam por ser mais fortes do que a boa vontade e o empenhamento de produtores florestais, do que o crescente e dinâmico movimento associativo, do que a resposta dos compartes dos baldios. Por isso, a alteração necessária e urgente é ao nível da política, defende o PCP.



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