O Governo não defende os interesses do País, mas os dos capitalistas
Nas empresas e locais de trabalho
Denunciar, resistir, mobilizar

Em muitas empresas do País, as células do Partido constituem um elemento indispensável para o esclarecimento e luta dos trabalhadores contra o aproveitamento da «crise» para retirar direitos e reduzir salários.

A célula do PCP na PSA Peugeöt-Citröen, em Mangualde, denuncia o carácter «demagógico, mentiroso e populista» do anúncio recente de criação de 300 postos de trabalho naquela unidade. Trata-se, para os comunistas, de uma forma de «desviar a atenção dos trabalhadores e da opinião pública das graves responsabilidades do Partido Socialista e da Administração da empresa na perda recente de mais de 600 postos de trabalho do centro de produção de Mangualde» e de esconder a cobertura governamental à «ilegal “bolsa de horas” na empresa e ao aumento desenfreado da exploração dos trabalhadores».

Os comunistas chamam a atenção, num comunicado de 28 de Julho, para um conjunto de dúvidas que os difusores da «notícia» não esclarecem – «Por exemplo: quem, a 600 despedidos soma 300 contratados quantos postos de trabalho cria? Quem vai contratar os 300 trabalhadores, a PSA ou uma empresa de aluguer de mão-de-obra? Que salário e subsídios vão estes trabalhadores auferir? Quem vai fazer o “turno da noite”? Quantos vão ficar na empresa, terminados os seis meses de contrato? Uma única certeza: quem vier a ser contratado sabe que o trabalho vai ser precário e temporário, uma espécie de “carne para canhão” para servir os objectivos imediatos de exploração e lucro da empresa.»


Aumenta a exploração


Em vez desta «publicidade enganosa», os dirigentes locais do PS prestariam um «verdadeiro serviço aos trabalhadores» se questionassem a administração da empresa sobre o facto de esta manter a funcionar a «ilegal “bolsa de horas”, medida que priva os trabalhadores da remuneração do trabalho prestado ao seu abrigo», realça a célula do Partido, que acusou a ministra do Trabalho de mentir quando afirma que este mecanismo foi a «única alternativa viável a um despedimento colectivo». «Como se os 600 postos de trabalho alienados neste processo, não fossem, na realidade, um despedimento colectivo», sustenta a célula. Que acrescenta: «Agora que se anuncia a entrada de 300 trabalhadores, que argumento vai utilizar a PSA para manter esse mecanismo de sobre-exploração?»

Comentando o anúncio da empresa que dá conta de aumentos de produção, nos primeiros meses do ano, de 36 por cento, a célula do PCP sustenta que estes resultam directamente da «aceleração dos ritmos de trabalho, da desregulação dos horários, da degradação da remuneração dos trabalhadores por força da aplicação da “bolsa de horas”». Os comunistas lembram que «o dinheiro a menos que os trabalhadores, hoje, levam para casa , vai direitinho para os bolsos dos accionistas e dos administradores da PSA. Não fica em Mangualde nem no País. E o PS bate palmas».

O PCP defende o investimento e a criação de postos de trabalho, que considera a «única forma de ultrapassar a crise em que os governos e as políticas de direita mergulharam Portugal». Mas não concorda com o «aproveitamento da crise para retirar direitos aos trabalhadores, degradar as suas condições de vida e de trabalho, aumentar a exploração».


Defender a manutenção da TAP


Na TAP, a célula do Partido está a denunciar o envio de cinco aviões da companhia aérea nacional para efectuar a manutenção no Brasil. Para o PCP, «o futuro do País depende de uma estratégia de desenvolvimento assente no trabalho com direitos e no desenvolvimento da produção nacional». E um sector como a manutenção da TAP é, representa precisamente aquilo que é «preciso defender».

Mas, alerta a célula, os interesses dos grandes grupos económicos e a acção do Governo, vai noutro sentido – o da venda da companhia. Por isso, reafirma o PCP, «só os trabalhadores podem defender o presente e o futuro de Portugal» e «só a unidade e a luta dos trabalhadores poder derrotar esta política e impor um novo rumo ao País». Os trabalhadores da manutenção, acrescenta, «precisam de estar crescentemente vigilantes face aos perigos que a actual política representa para o futuro do sector em Portugal».


Subserviências governativas

 

Tanto na PSA como na TAP, as manobras patronais têm contado com a subserviência do actual e dos anteriores governos – defensores dos interesses dos grandes grupos económicos e não do País. Na companhia aérea, a situação é ainda mais grave, por se tratar de uma empresa detida pelo Estado português.

Quando questionado pelo deputado do PCP Bruno Dias acerca do envio dos cinco aviões para o Brasil, o ministro das Obras Públicas e Transportes, António Mendonça, afirmou que «temos que encarar essa situação como uma situação normal do ponto de vista da gestão». Face a estas afirmações, a célula do PCP considera ficar demonstrado que na lógica do Governo «transferir o trabalho para o Brasil é uma situação “normal”, como “normal” será que os lucros da Manutenção da TAP Portugal sirvam para tapar os buracos da VEM (agora mal disfarçada de TAP Brasil)».

A célula acrescenta que deverá também ser «normal» que se reduzam os salários reais dos trabalhadores da empresa ao mesmo tempo que se pagam «altos salários e chorudos prémios a quem tão habilmente executa esta política desastrosa».

Também na PSA Peugeöt-Citroën é clara a subserviência do Governo e da estrutura local do PS, acusa a célula comunista naquela empresa do sector automóvel. O Governo deu à PSA, em 2007, 8,6 milhões de euros para investimento no centro de produção de Mangualde, com o compromisso escrito desta manter 1400 postos de trabalho até 2013. «Onde é que eles param», questiona a célula, acrescentando que o Governo disponibilizou agora mais 21 milhões para novos investimentos, sem que se conheçam as contrapartidas.



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