<i>Artigo 38º</i>

«O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico.»

In Constituição da República Portuguesa

 

Silenciar propostas alternativas

 A discriminação de que o PCP é alvo na generalidade da comunicação social assume várias formas, que vão do silenciamento das suas iniciativas e posições à deturpação ou truncagem do que nelas é afirmado e defendido. O tratamento jornalístico dado à última reunião do Comité Central, realizada nos dias 27 e 28, é disto um revelador exemplo.

Durante dois dias de intenso debate, o órgão máximo do Partido entre congressos analisou de forma aprofundada a situação política, económica e social, internacional e nacional – marcada, esta última, pelo violento ataque em curso contra os direitos dos trabalhadores e de amplas camadas da população. Nesta reunião esteve ainda em discussão o amplo e profundo processo de luta desenvolvido pelos trabalhadores e as populações, bem como diversas questões ligadas com o reforço da organização e intervenção do Partido.

No comunicado do CC, publicado nesta edição, adianta-se ainda um vasto conjunto de propostas, que correspondem à resposta do Partido às necessidades do País e aos problemas com que os trabalhadores e o povo estão confrontados – aposta no investimento público, na produção nacional e na dinamização do aparelho produtivo; enfrenta os grupos económicos e financeiros, indo buscar recursos onde eles existem; promove uma mais justa repartição da riqueza e valoriza o trabalho e os trabalhadores; põe fim ao processo de privatizações, garantindo o controlo público de importantes sectores estratégicos – eis algumas das medidas propostas pelo PCP que a comunicação social esconde.

A reunião do Comité Central parece ter-se resumido às eleições presidenciais do próximo ano e ao facto de não ter sido ainda anunciado o candidato do Partido à Presidência da República.

Quanto a este vasto – e singular, no panorama nacional – património de análises e propostas alternativas, pouco mais do que nada! Assim poderão continuar a apresentar as medidas do Governo e do PSD como inevitáveis e as únicas a tomar face à «crise», ao «ataque especulativo» e ao «défice»...

 Uma intensa actividade, escondida e silenciada

 Mas não foi apenas na reunião do Comité Central que se anunciaram propostas. Dias antes, o PCP realizou um conjunto de importantes iniciativas, que não mereceram qualquer referência: a audição sobre sobre conservação da Natureza, áreas protegidas e biodiversidade, onde se analisou de forma crítica a política seguida nestas áreas (marcada, por exemplo, pelas dificuldades impostas às populações residentes em parques naturais e áreas protegidas ao mesmo tempo que se concedem todas as facilidades aos grupos económicos para a exploração turística); a mesa-redonda realizada em Coimbra sobre a reforma da Política Agrícola Comum – matéria fundamental para o futuro da nossa agricultura e soberania; e as tomadas de posição acerca dos Cortes nos Apoios Sociais e do Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas, emitidas nos dias 23 e 26, que também não mereceram qualquer tratamento jornalístico.

O próprio comício realizado no dia 24, com a participação de Jerónimo de Sousa, que ocorreu nas Caldas da Rainha (onde há vários anos não se realizava semelhante iniciativa com um secretário-geral do Partido) e que contou com a presença de duas centenas e meia de pessoas não existiu para as televisões e para as rádios.



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