Cortes

Os cortes governamentais na Cultura já tiveram consequências imediatas: o novo filme de João Canijo, Sangue do Meu Sangue, foi suspenso por falta de verbas. Mas a coisa é ainda mais grave: o filme encontra-se a quatro semanas do final da rodagem. O corte abrupto das verbas não só impede a conclusão de uma obra que está quase pronta, como lança de imediato 45 pessoas – as envolvidas na produção e realização do filme - no desemprego. Isto violando grosseiramente compromissos assumidos pelo próprio Estado, que aprovara e financiara a obra.

Mas o mesmo está a acontecer com diversos contratos, protocolos, autorizações e subsídios assinados pelo Estado com diversas instituições para actos de Cultura entretanto em plena execução, o que coloca a seguinte questão: o Governo de Sócrates não se limita a cortar o apoio financeiro à Cultura daqui para o futuro – vai tirá-lo aos processos que aprovou no passado, paralisando-os.

E é assim em todos os sectores da vida nacional dependentes da acção directa do Estado, seja na Cultura ou na Saúde, na Educação ou na segurança Social...

Portagens

As famigeradas portagens a aplicar às SCUT, que o Governo garantia taxativamente irem entrar em vigor em 1 de Julho (hoje mesmo), afinal foram adiadas para 1 de Agosto porque, segundo a justificação do Governo Sócrates, «é preciso chegar a acordo político com o PSD». Ou seja, ambos os partidos cozinham atarefadamente o que ambos pretendem – que as SCUT passem todas a pagar portagem -, mas ambos procuram deixar a ideia de que o outro é que quer, sendo que a culpa central não será de nenhum deles, evidentemente. «É da crise», pois claro.

O que nenhum explica é porque se foi entregando, paulatinamente, a exploração das autoestradas à gula do scctor privado que, ao pretendê-las e ao assumi-las, provou de imediato que estava ali «uma mina». Assim sendo, por que não manteve o Estado o controlo destas infraestruturas, o que de certeza lhe daria meios não apenas para construir novas autoestradas e conservar as existentes, como determinar as gratuitidades que entendesse, em função dos interesses do povo e do País?

Disso é que ninguém fala. Mas absolutamente ninguém...

Prémios

O ministro da Economia, Teixeira dos Santos, surgiu com mais uma novidade: segundo ele, os funcionários públicos não devem contar com prémios de desempenho e progressões na carreira decididos pelos dirigentes «nos próximos anos» (o que vai do zero ao infinito, pois claro).

O homem parece decidido a cortar nos salários dos trabalhadores da Função Pública num esmiframento que vai até ao cêntimo. O que não o impele, por exemplo, a cortar igualmente na aquisição de automóveis topo de gama para o serviço dos altos quadros da Função Pública, que só neste primeiro semestre do ano já cresceu quase 10%.

Este aplicado serventuário do Governo Sócrates – que muito exultou, após intensa labuta pessoal, quando foi segunda escolha de Sócrates para as Finanças -, não é por acaso que acabou por se tornar conhecido no meio sindical como o «Teixeira dos Bancos»...



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