Editorial

«A luta dos trabalhadores e das massas populares é determinante»

MAIS DO MESMO PARA PIOR

O 65.º aniversário desse acontecimento crucial da história da humanidade que foi a derrota do nazi-fascismo, foi tratado pelos média dominantes como era de esperar: nuns casos, o silêncio, noutros, a manipulação dos factos – designadamente com a insistência na divulgação da patranha que pretende situar no desembarque na Normandia o momento que «marcou o ponto de viragem da II Guerra Mundial».

Com isso, pretendem esconder: «o contributo decisivo da URSS e do seu heróico povo, que suportou o fardo fundamental da guerra, sofrendo 27 milhões de mortos e colossais perdas materiais»; que «foi na Frente Leste que tiveram lugar as maiores e mais decisivas batalhas, onde foi derrotado o grosso das hordas nazi-fascistas»; e que «valorizando a importância e contributo da Coligação dos Países Aliados, nada poderá alterar o facto de que foi o povo soviético e o seu Exército Vermelho o principal obreiro da vitória» - como sublinhou o camarada Jerónimo de Sousa, na importante intervenção proferida na Sessão Evocativa realizada no passado dia 7, no Centro de Trabalho Vitória.

Na verdade, «as infames iniciativas de deturpação da verdade histórica sobre os acontecimentos em torno da II Guerra Mundial, tendo como eixo principal o anticomunismo, (…) constituem um elemento central da ofensiva ideológica do capitalismo no quadro do aprofundamento da sua crise, das suas contradições, dos problemas que gera e é incapaz de resolver».

 

Caracterizando incisivamente o nazi-fascismo como «uma forma de organização do Estado a que o capitalismo recorreu (e recorrerá sempre que necessite e consiga) para garantir a dominação e assegurar a exploração dos trabalhadores e dos povos», o secretário-geral do PCP alertou para o facto de, no momento actual, o mundo se encontrar numa «encruzilhada que, com naturais diferenças resultantes de novas realidades e das transformações entretanto ocorridas, apresenta, no entanto, significativos paralelos com a situação mundial que antecedeu a II Guerra Mundial».

Tudo isto a exigir o prosseguimento e a intensificação da luta dos trabalhadores e dos povos pela sua emancipação, pela justiça social, pela liberdade, pela paz, pelo socialismo – única alternativa ao capitalismo e à sua natureza opressora e exploradora, geradora da injustiça e da guerra.

No que toca aos comunistas portugueses, eles reafirmam «a sua determinação no combate às causas e às forças que estiveram na raiz do horror fascista e a sua inabalável confiança em que o futuro pertence não aos que oprimem e exploram, mas aos trabalhadores e aos povos que resistem e lutam (…), não ao capitalismo mas ao socialismo e ao comunismo».

E parte integrante dessa luta é a luta que hoje travamos contra a política de direita – política feita com a exclusiva preocupação de impor à maioria dos portugueses a vontade e os interesses do grande capital.

 

Essa luta – o seu reforço, a sua ampliação, a sua intensificação – é tanto mais necessária e premente, quanto a actual ofensiva do Governo PS/José Sócrates assume proporções de extrema gravidade, trazendo consigo a perspectiva real de um brutal agravamento, no futuro imediato, da já gravíssima situação das famílias portuguesas.

A pretexto da malfadada redução do défice, e obedecendo às ordens dos patrões europeus, o Governo anunciou um vasto conjunto de novas medidas económicas, sociais e fiscais que constituem um passo em frente na violenta cruzada contra ao trabalhadores, o povo e o País – ou seja contra a imensa maioria dos portugueses.

O aumento de impostos – que o primeiro-ministro jurou que não aconteceria – é, agora, apresentado como uma «inevitabilidade»; adensam-se as ameaças de tributação dos subsídios de férias e (ou) de Natal (à semelhança, aliás, do que aconteceu em 1983, na altura do governo PS/Soares/PSD/Mota Pinto), configurando uma situação de profundo e brutal desrespeito pelos direitos dos trabalhadores e dos cidadãos; confirma-se o corte do investimento público, com o adiamento das grandes obras públicas; o objectivo de criação de emprego é mandado às malvas, e o desemprego cresce com o encerramento e falência de empresas a um ritmo calamitoso.

Trata-se de mais do mesmo para pior, já que nenhuma destas medidas resolve – antes todas agravam – o problema de fundo, ou seja, a necessidade do aumento da produção e, portanto, da riqueza nacional; da criação de mais emprego; de uma distribuição dessa riqueza que ponha termo às profundas injustiças existentes.

Registe-se, ainda, a decisão do empréstimo de milhões ao sistema financeiro grego – e o facto, claramente separador de águas nesta questão essencial, de só o PCP e o PEV terem votado contra tal decisão na Assembleia da República.

 

Entretanto, o primeiro-ministro e o líder do PSD voltam a encontrar-se – confirmando que cada vez que isso acontece novas e mais graves medidas são anunciadas.

Neste contexto, a luta dos trabalhadores e das populações assume uma importância determinante. No sector público como no privado; nos sectores, empresas e locais de trabalho; nos locais de residência; nas escolas e nos campos; em todo o lado onde as nefastas consequências da política de direita se fazem sentir, é necessário que a luta cresça e se desenvolva.

Nesse sentido, a manifestação nacional convocada pela CGTP-IN para o próximo dia 29, em Lisboa, reveste-se de enorme importância e significado – e fazer dela uma poderosa acção de massas constitui, na situação actual,

 a tarefa primordial para todos os trabalhadores e para as suas estruturas representativas.

 


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