A «estabilização» representou mais 35 mil sem emprego
Resultados batem previsões
Mais desemprego
O constante aumento do desemprego em Portugal coloca em dúvida as previsões do Governo e as medidas aplicadas no último ano, comentou a CGTP-IN.
O desemprego continua a aumentar, foi a primeira observação da central, quando reagiu, sexta-feira passada, aos números divulgados pelo Eurostat. Segundo o gabinete de estatísticas da Comissão Europeia, a taxa de desemprego no nosso País foi de 10,4 por cento, em Dezembro de 2009, situando-se 2,3 pontos percentuais acima do valor verificado um ano antes. Portugal surge, assim, em terceiro lugar nos países com maior taxa de desemprego da «zona euro».
Numa situação «particularmente difícil», destaca a Intersindical, estão os jovens e as mulheres, com taxas de 18,5 e 11 por cento, respectivamente. O desemprego das mulheres é o quarto valor mais elevado de toda a União Europeia.
A tendência de crescimento fora já revelada a partir da observação dos dados do Instituto do Emprego (IEFP), relativos a Dezembro. Como então a CGTP-IN salientou, 2009 foi o segundo ano consecutivo em que o desemprego registado em Dezembro subiu, relativamente ao mês anterior. «Esquecendo este facto, o Governo apressa-se a replicar o discurso de Junho passado, dizendo que a evolução do desemprego estabilizou», mas «desde essa altura, mais 34 854 desempregados surgiram nas estatísticas oficiais» - protestou a central, numa nota de imprensa que divulgou a 19 de Janeiro e na qual insistiu para a urgência de serem clarificados os motivos para a eliminação de muitos milhares de registos nos ficheiros do IEFP.
Por um lado, «o nível de desemprego e o seu contínuo aumento, nos últimos meses, levantam dúvidas quanto ao realismo das previsões que constam da proposta de Orçamento do Estado para 2010». Mas, acrescenta a CGTP-IN, na nota de imprensa da passada sexta-feira, «estes dados colocam também dúvidas relativamente à eficácia das medidas, implementadas no último ano, com o objectivo de combater o desemprego e criar emprego».
Nos dados do IEFP, relativos a Dezembro, a precariedade de emprego continua a ser o principal motivo dos despedimentos, o que levou a central a ver aqui «um exemplo de que não é financiando a precariedade, como o Governo pretende com as medidas anunciadas, que se combate o desemprego e promove o emprego de qualidade».
Para a Inter, «o que é necessário é que sejam tomadas medidas que criem emprego com direitos e reforcem a protecção dos desempregados, evitando que a situação social se deteriore ainda mais».
O desenvolvimento da economia «não pode passar» pelas medidas que o Governo apresenta na proposta de OE, e que «assentam na redução real dos salários, nas privatizações, na quebra do investimento público e na generalização da precariedade». A central insiste na necessidade de «uma mudança de política, que assuma a componente social como prioritária, assente na alteração da matriz de crescimento, na promoção de mais e melhor emprego e no firme combate à precariedade e desemprego, bem como na melhoria dos salários e das pensões, enquanto elementos indispensáveis para aumentar o poder de compra das famílias e, simultaneamente, dinamizar a actividade económica».


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