Construir o Partido em Avis
Avis é daqueles concelhos a que nos habituámos a considerar um bastião do Partido. Uma fortaleza. Não só pelos resultados eleitorais, quase sempre favoráveis aos candidatos e listas propostos ou apoiados pelos comunistas, mas sobretudo pela luta tenaz travada por tantos militantes ao longo dos tempos – na resistência ao fascismo; na Reforma Agrária; na construção e defesa do poder local democrático; na luta diária por uma vida melhor.
Mas os bastiões (seja Avis ou qualquer outro) não nasceram de geração espontânea nem assim se mantiveram por obra do acaso. Pelo contrário, construíram-se e defenderam-se com um trabalho esforçado e dedicado de gerações e gerações de comunistas. Dia após dia, semana após semana, em grandes acções ou em contactos individuais. É este trabalho – anónimo, quotidiano – que garante ainda hoje a força do Partido naquele concelho norte-alentejano.
Foi precisamente isso que ficou claro na reunião realizada no passado sábado no Centro de Trabalho do PCP em Avis. À volta da mesa estavam alguns daqueles em quem assenta uma parte fundamental da actividade do Partido: responsáveis por organizações de freguesia, cobradores de quotas, vendedores do Avante!. Destes, há os que cumprem estas tarefas há anos; outros, como Paulo ou Elvira, passaram a assegurá-las quando os pais deixaram de o poder fazer. Todos as cumprem, hoje, com esmero e dedicação.
Um a um, os presentes contaram como cumprem a sua tarefa. Em Benavila, são cinco os cobradores de quotas. Numa das zonas desta freguesia, Francisca e Joaquina têm à sua responsabilidade a quotização de 60 militantes, que recolhem porta-a-porta ou na associação de reformados. Para Francisca, que também recebe a quotização de trabalhadores no activo, o principal obstáculo com que se defronta é as baixas reformas dos militantes mais idosos: «só três ou quatro têm reformas superiores a 250 ou 300 euros.» Mas contribuem.
No Alcórrego, a situação é idêntica. Como afirmou Manuel, responsável pela organização local, «não é fácil para muitos pagar um ou dois euros.» Mas também ali a grande maioria faz questão de pagar a sua quota. Em alguns casos, talvez mesmo acima das suas possibilidades.
Quanto ao Avante!, muito mais pode ser feito, concordam todos. Muitos militantes, mesmo alguns dos mais activos, não o compram nem lêem. O número de jornais vendidos no concelho mantém-se estável e quando algum leitor desiste logo surge outro. Não revelará isto reais possibilidades de avanço?
Os últimos minutos da reunião foram reservados a uma troca de ideias precisamente acerca das medidas a tomar para aumentar a difusão do Avante!. O alargamento da rede de distribuidores da imprensa, a elaboração de listas de potenciais compradores, a discussão nas organizações da importância da leitura do Avante! e de O Militante foram algumas das propostas sugeridas. Cabe agora aos comunistas de Avis desenvolvê-las e aplicá-las – para que Avis continue a ser, e seja cada vez mais, uma terra vermelha.


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