• Vladimiro Vale
    Membro da Comissão Política

A indústria e o sector produtivo precisam de um mercado interno dinâmico
Defender o aparelho produtivo
Questão central no distrito de Coimbra como no País
Muitas foram as empresas industriais e de produção que encerraram no distrito de Coimbra. Os sectores mais atingidos foram o cerâmico e o têxtil, mas existem exemplos em quase todos os sectores.
Os reflexos e cicatrizes deste processo estão bem patentes nas ruínas de edifícios industriais que populam o distrito mas também nos crescentes números do desemprego na região. Alguns destes processos originaram duras e prolongadas lutas dos trabalhadores. Foi o que aconteceu nas Cerâmicas Estaco, nos Transportes Jaime Dias, na Sociedade de Porcelanas, na Le Fauburg, no Grupo Mondefin, na Rifer, na Textilandia, na Ceres, na Triunfo, na Realcerâmica, na Poceram entre outras.
Fora do concelho de Coimbra, outras importantes lutas tiveram lugar nos Estaleiros Navais do Mondego e nos Estaleiros Navais da Figueira da Foz (Foznave), na empresa Alberto Gaspar, também no concelho da Figueira da Foz. O mesmo aconteceu na Cerâmica Berardos e na Cerâmica Conimbriga no concelho de Condeixa, mas também na Auto Cerâmica Leiriense no concelho de Soure. Registou-se muitas outras acções de luta noutros concelhos contra as medidas mais gravosas do Governo e patronato.
São vários os exemplos onde a falta de transparência e a procura do lucro fácil em actividades de carácter especulativo trouxeram e aceleraram vários processos de deslocalização e falência. Exemplos disto são a Ex-Mondorel, a Reflecta, a Le Faubourg, a Sociedade de Porcelanas, Realcerâmica e Poceram.
A actual crise do capitalismo veio acentuar as dificuldades sentidas por um vasto conjunto de empresas do sector produtivo mas está, ao mesmo tempo, a ser aproveitada oportunisticamente para retirar direitos aos trabalhadores e para a especulação imobiliária, beneficiando interesses de fortes grupos económicos em torno das falências e do encerramento das empresas, nomeadamente na aquisição de patrimónios riquíssimos por valores meramente residuais.

Outra política de salários defendendo quem trabalha – questão decisiva

A indústria e o sector produtivo necessitam de um mercado interno dinâmico onde os trabalhadores e populações tenham capacidade para consumir. Neste sentido, a verdadeira resposta para a crise passa pelo aumento dos salários, promovendo a capacidade de compra dos trabalhadores e melhorando as suas condições de vida e de trabalho.
Algumas das questões que ficaram claras na discussão do Programa do Governo PS são a manutenção da política de baixos salários e a ausência de medidas sérias que contrariem o definhamento da produção nacional. Sendo portanto de esperar mais do mesmo.
Muitas são as empresas ameaçadas de encerramento. Umas por dificuldades reais, outras por manifesto oportunismo. Importa combater as falências ou a retirada de direitos fundamentais, defender o aparelho produtivo, os direitos dos trabalhadores e reforçar a Rede de Protecção Social, nomeadamente para os trabalhadores vítimas do desemprego, a quem deve ser garantido o acesso ao subsídio de desemprego.
Neste cenário será necessário o reforço da organização e luta dos trabalhadores reforçando a afirmação, intervenção e ligação do Partido nas empresas e locais de trabalho como forma de defender salários e direitos e de exigir uma ruptura com estas políticas de direita. A luta é o caminho.


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