116 palestinianos morreram em seis dias
Israel massacra dezenas de palestinianos
Banho de sangue em Gaza
As tropas israelitas mataram mais de uma centena de palestinianos na Faixa de Gaza. Perante o repúdio tímido da ONU e da UE, e o apoio dos EUA, Israel promete continuar as acções repressivas.
Seis dias de bombardeamentos aéreos e de artilharia, e de incursões terrestres apoiadas por blindados e carros de assalto no Norte da Faixa da Gaza, deixaram um saldo de 116 palestinianos mortos e mais de 350 feridos.
A crueza dos números impressiona, sobretudo se tivermos em consideração que a maioria dos alvos israelitas são civis, entre os quais mulheres, crianças e idosos incapazes de fugir do fogo que se abateu sobre as suas habitações e sobre os edifícios públicos onde procuraram abrigo.
O ataque teve como primeiro efeito político a suspensão das negociações de paz entre Telavive e a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), que decorriam desde o encontro mediado por Washington em Anápolis, em Novembro passado.
Perante a escalada da violência de Israel contra os palestinianos de Gaza e a onda de indignação que se levantou entre os povos árabes vizinhos, a que se junta o castigo colectivo imposto desde Junho passado em forma de bloqueio, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, não teve outra hipótese senão cancelar o diálogo até que Israel termine a campanha.
Segunda-feira, o primeiro-ministro israelita Ehud Olmert ordenou o abrandamento das operações repressivas. A questão é que deixou claro que os ataques contra Gaza vão continuar, e revelou até que o seu governo tem um plano com objectivos e intensidade bem delineados, pronto a ser colocado em marcha após este interregno táctico.

Palavras de circunstância

Em face da brutalidade das acções israelitas contra os palestinianos em Gaza, diversas instituições e organismos internacionais apelaram ao fim das hostilidades, frisando que Israel usa e abusa de uma força desproporcionada.
Apesar destas declarações, é com gritante frequência que os porta-vozes da dita «comunidade internacional» colocam ao mesmo nível o lançamento desesperado de foguetes artesanais Kassam sobre colonatos israelitas, e o avanço imparável e mortal de um dos mais bem preparados exércitos do mundo.
Neste particular, importa registar que a alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Louise Arbor, pediu às autoridades israelitas que investiguem as violações à norma cometidas contra a população de Gaza, isto é, exorta o juiz a julgar em causa própria.
No mesmo tom, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a ambas as partes, em reunião extraordinária do Conselho de Segurança, realizada sábado, que travem o recurso às armas, mas nem o responsável nem o referido órgão mostram ter influência e força para deixar em xeque o apoio diplomático e logístico dos EUA a Israel.
Da parte da União Europeia, as palavras foram ligeiramente mais duras classificando a investida sionista de «contrária ao Direito Internacional», mas, não obstante, insistiu em pregar a Israel para se «abster» de ataques contra «civis», mesmo estando mais que provado que para Telavive um militante político independentista palestiniano é sempre considerado um perigoso terrorista munido até aos dentes.

Contra a agressão, pela unidade

Entretanto, o povo palestiniano parece já ter deixado para trás as diferenças que sobressaíram após as últimas legislativas nos territórios autónomos.
Na Cisjordânia, zona administrada pela Fatah onde nos últimos dias pelo menos 20 pessoas morreram em confrontos com o exército israelita, milhares de palestinianos protestaram, domingo, nas ruas de Jenin, Nablus, Hebrón e Ramallah.
Bandeiras do Hamas e da Fatah desfilaram juntas enquanto os manifestantes gritavam «unidade nacional!, unidade nacional!», revela a agência Prensa Latina. Segundo a mesma fonte, no campo de refugiados de Shuafat, perto de Jerusalém, jovens concentraram-se igualmente em repúdio à ofensiva.
Na Faixa de Gaza, sexta-feira, dezenas de milhares de pessoas também marcharam contra a política de Israel denunciando os crimes cometidos naquele território, prática sistemática que o povo promete não deixar cair no esquecimento, ou que seja deturpada sob um manto de indignação vã.


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