Breves
Venezuela
O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) entrou oficialmente no contexto de formações políticas do país, após a conclusão, este fim-de-semana, dos trabalhos do seu I Congresso.
Na fundação do PSUV confluem mais de 20 partidos e cinco milhões de venezuelanos candidatos a membros de pleno direito.
Na sessão de encerramento, o presidente e principal impulsionador do PSUV, Hugo Chávez, disse que o partido se orienta pelos princípios bolivarianos e de construção da sociedade socialista, apelando a militantes e dirigentes para que sejam consequentes ao lema «todo o poder ao povo».

Chávez
Consciência revolucionária e responsabilidade, pediu o presidente venezuelano aos activistas do PSUV para combater a indisciplina e a formação de correntes no seio do movimento bolivariano.
O apelo de Hugo Chávez antecedeu o encerramento do congresso de fundação do partido, e decorreu das acusações de corrupção, supostamente infundadas, feitas por um delegado e deputado contra um membro do actual governo, as quais, frisou Chávez, não só carecem da apresentação de provas, como revelam o despontar de correntes oportunistas e anarquizantes.
Sobre a acção de facções e movimentos pretensamente radicais, Chávez já havia lançado sérios avisos, fazendo notar que tais tendências facilmente prejudicam o processo revolucionário em curso, mesmo que, no fundamental, os grupos envolvidos o apoiem. O caso da invasão do patriarcado de Caracas é lapidar neste aspecto, lembrou.
Recentemente, um grupo identificado genericamente com a revolução bolivariana atacou a sede episcopal na capital venezuelana, acção que para Chávez é não só «totalmente absurda», como se reveste de «contornos muito estranhos».
Da mesma forma, o presidente qualificou os protestos frente à emissora privada Globovisión de «muito arriscados» porque, explicou, «é muito fácil cair em algum tipo de provocação» que degenere em violência.

Bolívia
A nova Constituição boliviana, recentemente aprovada no parlamento, e a lei sobre o latifúndio vão ser sujeitas a consulta popular no próximo dia 4 de Maio, isto depois do presidente, Evo Morales, ter subscrito a convocatória dos respectivos referendos.
Satisfeitas com o desbloqueamento do processo de escrutínio do texto fundamental, as organizações representativas de camponeses, trabalhadores e povos originários manifestaram-se favoráveis à proposta governamental.
Pelo contrário, as estruturas patronais e secessionistas da região da Meia Lua ameaçaram com a convocação de referendos autonómicos, mesmo depois da Assembleia Nacional ter recusado tal proposta considerando-a hostil à soberania, unidade e progresso do país.

Panamá
Por melhores salários e contra o aumento do custo de vida, sindicatos e organizações sociais panamianas manifestaram-se, quinta-feira, dia 28, na capital do país.
Os trabalhadores deixaram junto ao palácio presidencial uma carta reivindicativa de dez pontos. O texto sublinha as exigências anteriormente feitas pela Frenadesco (Frente Nacional para a Defesa dos Direitos Económicos e Sociais) em sede de concertação social.
A Frenadesco reivindica o crescimento substantivo das remunerações laborais, o congelamento do preço dos bens de primeira necessidade, e o fim da repressão sobre os trabalhadores e as populações que promovem acções de luta.

Guatemala
Professores dos vários graus de ensino manifestaram-se, também na quinta-feira, mas na Guatemala, em defesa da liberdade e dos direitos sindicais.
O protesto que percorreu a principal cidade do país teve como objectivo contestar o despedimento do secretário-geral do sindicato do sector, Joviel Acevedo.
O dirigente foi afastado das actividades lectivas na sequência do processo movido por uma ex-ministra da Educação. A responsável acusou Acevedo de abandonar o posto de trabalho para se dedicar a actividades sindicais, mas os docentes suspeitam que a sentença agora conhecida é mais uma forma de coação em resposta à luta que travam contra a privatização das escolas.