• Paulo Raimundo
    Membro da Comissão Política

Da lista das 500 maiores empresas nacionais, em 2006, 23 estão sediadas em Braga
Basta de injustiças!
Vivemos num País profundamente marcado pela injustiça, onde uns poucos crescem à custa de muitos, sempre os mesmos. A realidade do distrito de Braga não é diferente, pelo contrário, a injusta distribuição da riqueza e os ataques a quem trabalha constituem uma realidade diária.
A maioria depara-se com a violenta realidade do desemprego, que afecta cerca de 50 mil trabalhadores, do encerramento de empresas, do aumento da pobreza, do trabalho precário, sendo que para milhares de trabalhadores Espanha surge como único local de trabalho.
Braga, um dos distritos mais jovens da Europa, com uma Universidade com cerca de 16 mil estudantes e de onde todos os anos saem milhares de técnicos qualificados; distrito com grande capacidade e aparelho produtivos, com mão-de-obra disponível e qualificada, é o mesmo que empurra 15 mil jovens para o desemprego, 8 mil para a emigração (só em Espanha), 72 mil para o trabalho sem futuro, sem segurança, sem direitos, para o trabalho precário.
A par desta realidade, desenvolve-se outra parasitária. O crescimento do lucro das empresas e a acumulação da riqueza criada por muitos na mão de poucos justificam, de resto, a razão por que cerca de 5% de agregados familiares mais ricos detêm um rendimento superior ao de 42% mais pobres, ou por que cerca de 1500 agregados detêm mais rendimento do que 26500 no seu conjunto.
Nas empresas impera o clima da chantagem, do medo, da pressão e repressão. O fantasma da crise (sempre para os mesmos) e o desemprego são utilizados para as mais violentas formas de exploração e pressão, onde tudo vale para obter lucro e tentar travar a luta dos trabalhadores.
É bom recordar que da lista das 500 maiores empresas nacionais, em 2006, 23 estão sediadas em Braga, as mesmas, em alguns casos, onde o ataque é mais feroz.
De uma extensa lista, vejamos apenas dois casos. Primeiro, o de uma grande empresa do sector metalúrgico que, depois de ter mandado aparar as árvores junto ao portão de acesso à empresa – para que as câmaras de vigilância pudessem focar melhor o piquete na greve geral –, e de ter obtido em 2006 mais de 3 milhões de euros de lucros, desencadeou recentemente uma linha de despedimentos encapotados e selectivos. Face a questões que, como esta, se colocam na empresa, as estruturas sindicais decidiram promover plenários com os trabalhadores. Resultado: não só o coordenador do sindicato foi proibido de entrar na empresa para realizar os plenários, como dias antes a administração já lançara um comunicado aos trabalhadores, cujo conteúdo, como os do «antigamente», ameaçava resumidamente: quem for aos plenários sujeita-se a não receber prémios de produtividade, que o tempo é de trabalho e não de «sindicalisses», anda aí a globalização, os chineses e indianos e a situação é difícil, por isso, ou se trabalha ou o mais certo é a empresa passar dificuldades.

Que mais quererão?

O outro caso diz respeito a uma grande empresa do sector eléctrico, esta com a particularidade de, no ano passado, ter recebido do governo milhares de euros de apoios à modernização e à criação de emprego. De facto, o elemento mais moderno concretizado com os apoios financeiros foi o de a administração ter feito deslocar, na greve geral, para junto do piquete de greve, o dono da empresa, o responsável pelos recursos humanos e o responsável pela segurança, todos de bata branca, a ver quem entrava ou não na empresa, sendo de realçar que, nos últimos meses, foram despedidos centenas de trabalhadores precários. Também neste caso, os mais de 6 milhões de euros de lucros obtidos no passado ano, não satisfizeram a ganância exploradora.
Para além de o conjunto destas 23 empresas ter obtido perto de 141 milhões de euros de lucros, facto significativo é o de 5 delas pertencerem ao sector têxtil e vestuário, que por si só obtiveram perto de 12 milhões de lucros. Valores muito significativos, tendo em conta o peso deste sector no distrito e a profunda injustiça salarial de que os seus trabalhadores são alvo.
Mas esta questão leva-nos à questão da categoria H. Cerca de 80% dos milhares de trabalhadores do sector têxtil auferem salários pouco superiores a 400 euros mensais, ou seja, grande parte dos assalariados do têxtil e vestuário estão englobados na categoria H, mulheres na sua larga maioria, vulgarmente conhecidas por costureiras. Mas para além da luta diária que é viver com estes salários, há ainda que ter em conta as consequências futuras, no plano das prestações sociais, que esta imensa massa de trabalhadores irá usufruir depois de uma vida de trabalho.
Face a esta realidade, o que dizer, pois, da exigência dos patrões da Têxtil para que o governo ponha travão às expectativas de aumentos salariais nos próximos anos e crie novas condições para a exploração de quem trabalha?
Basta de tanta injustiça, os trabalhadores do distrito merecem uma vida melhor. Para isso só há uma solução: prosseguirem e intensificarem a luta nas empresas em torno dos seus problemas concretos; continuarem a denúncia da injustiça de que são alvo; reforçarem as suas estruturas representativas e o MSU. Para essa luta, contando sempre com o apoio do PCP.


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