Greves na Bulgária
O mais empobrecido Estado-membro da União Europeia, a Bulgária, está ser agitado por uma persistente onda de greves em protesto contra os salários escandalosamente baixos e as condições miseráveis de vida a que a maioria da população é sujeita.
Segundo a edição do jornal basco Gara (04.10), as escolas do país estão enceradas há dez dias devido a uma greve dos professores. Outras greves prolongadas foram anunciadas pelos guardas florestais, médicos e professores universitários.
Em luta estão igualmente os reformados, cuja pensão média ronda os 95 euros, num país onde o salário mínimo é de 77 euros, a remuneração média situa-se nos 150 euros e cerca de metade da população é obrigada a sobreviver com dois euros diários.
Explicando os protestos populares, o primeiro-ministro, Serguei Stanichev, declarou que «os sacrifícios da transição foram explicados até agora com a necessidade de entra na UE e que alguns esperavam uma mudança imediatamente a seguir à adesão». Contudo, Stanichev esclareceu que a Bulgária continuará a aplicar o regime de austeridade orçamental até à sua adesão ao euro, cuja data não está prevista.
Neste sentido, o governante insistiu na necessidade de reduzir os efectivos nos sectores da Educação e da Saúde.
Aos sindicatos que exigem a aplicação do actual excedente orçamental para suprir as mais graves carências sociais, Stanichev responde que esse dinheiro a mais é necessário para os investimentos públicos previstos, onde se destaca a construção de um ponte entre as fronteiras do país com a Roménia.
Insensível às dificuldades de amplas camadas da população, o governo búlgaro tem-se revelado generoso com as empresas, às quais reduziu a taxa de imposição fiscal para 10 por cento, o mais baixo nível em toda a UE. Foi também pensando nos mais ricos que introduziu um escalão único de 10 por cento para os rendimentos do trabalho
Comprovando o «sucesso» destas medidas, o Banco Mundial incluiu a Bulgária na lista dos «dez melhores países reformadores» que é encabeçada pela Croácia.


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