«Ninguém calará o protesto e a luta dos trabalhadores»
A PSP tentou impedir a vigília da Frente Comum
Protesto ou «ruído»?
A PSP tentou impedir a acção, entre os dias 18 e 20, diante da Assembleia da República, contra o novo regime de carreiras, vínculos e remunerações e as restrições à actividade sindical.
Para Arménio Carlos, da União dos Sindicatos de Lisboa, Paulo Trindade, do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Francisco Braz, presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local, todos membros da Comissão Executiva da CGTP-IN, e os deputados do PCP e do BE, presentes em solidariedade, as constantes tentativas da PSP para cancelar a vigília foram totalmente injustificadas.
Logo na primeira noite, os dirigentes, delegados e activistas da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública foram abordados 11 vezes por graduados da PSP.
A vigília terminou, dia 20, coincidindo com o debate sobre “o estado da nação”. As uniões de sindicatos de Lisboa e Setúbal promoveram um protesto, a denunciar o estado real do País, através de um painel onde estavam enunciados os 600 mil desempregados, o milhão de contratados a prazo, os direitos, liberdades e as garantias dos trabalhadores e dos cidadãos comprometidos pelo Governo PS e a destruição de serviços públicos.

Repressão governamental

No dia 19, a PSP identificou os participantes na vigília e deu ordem para que o som ambiente fosse desligado, «apesar de a acção ter as autorizações necessárias», esclareceu Arménio Carlos, salientando que, «mentindo descaradamente, a PSP alegou que o som incomodava os trabalhos parlamentares».
Na manhã do último dia da acção, dezenas de viaturas, em marcha lenta, efectuaram um «buzinão» de protesto e a Polícia registou as matrículas dos veículos envolvidos.
Referindo-se ao PS, Arménio Carlos acusou os que falam na importância da liberdade, de «serem os mesmo que não gostam de ver as suas políticas criticadas e que recorrem à polícia para intimidar quem protesta».
Para o Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul, as restrições que o Governo queria impor, com a lei que acabou por não ser aprovada (ver página 12) representam «um grande ataque à acção dos sindicatos e a resposta do Governo à luta organizada dos trabalhadores contra as suas políticas», disse Paulo Trindade.

Pior do que na Turquia

Segundo o presidente do STAL, Francisco Braz, «nem nos países com mais dificuldades na União Europeia – e nem sequer na Turquia, por exemplo - tem havido alterações tão graves como estas à legislação laboral». «O primeiro-ministro que se diz socialista está a fazer a política mais à direita que alguma vez se viu em todo o continente», considerou.
«De uma coisa pode o Governo estar certo: os sindicatos vão continuar a existir porque ninguém pode calar a luta dos trabalhadores», garantiu, acrescentando que estas propostas legislativas foram apresentadas «depois da extraordinária adesão à greve geral e enquanto ainda estamos a discutir a nova legislação para a Administração Pública», o que mostra «a desonestidade de um Governo que não só negoceia pouco e mal, como tenta impedir os protestos».

PCP exige explicações

«A tentativa de impedir a vigília é totalmente inaceitável», salientou, na acção, o deputado do PCP, Jorge Machado. «Os trabalhadores têm direito a manifestarem-se e isso pressupõe, naturalmente, algum ruído, mas querer impedir a acção com base na Lei do Ruído é um comportamento inqualificável», considerou.
O Grupo Parlamentar do PCP interpelou o presidente da Assembleia da República, à semelhança do Partido Ecologista «Os Verdes» e do BE, para tentar apurar o que terá motivado as intervenções policiais. «Jaime Gama respondeu ter a certeza de que, em Portugal, a Lei será cumprida, numa resposta que até pode ser vista como uma legitimação da intervenção da PSP, o que, confirmando-se, seria uma atitude inqualificável», considerou o deputado comunista, Miguel Tiago.


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