«O candidato apoiado pela Fretilin reuniu-se em Díli com jovens timorenses»
Eleições em Timor Leste
Horta e Lu Olo reiniciam campanha
O Tribunal de Recurso de Timor-Leste ratificou os resultados da primeira volta das presidenciais. Lu Olo e Ramos-Horta já estão em campanha para o sufrágio do próximo dia 9 de Maio.
O presidente do Tribunal de Recurso, Cláudio Ximenes, confirmou, sábado, os dados apurados anteriormente pela Comissão Nacional de Eleições respeitantes à primeiro ronda das eleições presidenciais em Timor Leste.
Os números não sofreram alterações significativas, sustentando-se uma participação superior a 81 por cento, e a presença quer de Lu Olo (112.666 votos, ou 27,89 por cento), quer de Ramos-Horta (88.102 votos ou 21,81 por cento dos votos) nas urnas para a derradeira disputa do lugar no Palácio das Cinzas.
Na primeira acção pública de campanha, o candidato apoiado pela Fretilin reuniu-se em Díli com jovens timorenses a quem prometeu um papel de destaque no futuro do país, desde logo pela criação de um gabinete nacional cujo objectivo é «apoiar a juventude» tornando-a parte activa na «construção da paz, na educação, na saúde e no desenvolvimento comunitário».
Para o ainda presidente do parlamento, tal medida é de inteira justiça porque, explicou, «sem a juventude não teríamos a independência». Quando se combatia nas montanhas a ocupação indonésia foi a juventude que «nas cidades e nas vilas ajudou e apoiou» a resistência, sublinhou, por isso os dirigentes têm para com ela «uma dívida» política.
Posteriormente, Lu Olo convocou os órgãos de comunicação social para, num gesto inédito e não obrigatório por lei, prestar contas sobre os seus rendimentos e bens pessoais, precisando que não detém qualquer participação em empresas locais ou estrangeiras, nem contas bancárias em Timor ou em qualquer outro país.
«O povo espera que o seu presidente não seja afectado por considerações de benefício próprio ou ganho pessoal», disse, por isso instou todos os candidatos a «seguirem o exemplo» para que «o processo [eleitoral] seja mais transparente».
Escusando-se a comentar prognósticos para o próximo dia 9 de Maio, Lu Olo apelou ao «trabalho de cada um dos militantes da Fretilin» para, até à hora do voto, convencerem «mais uma pessoa a votar na nossa candidatura».

Horta tenta arrebanhar derrotados

Do outro lado da barricada eleitoral, o candidato Ramos-Horta preferiu reiniciar a campanha com encontros com os candidatos que ficaram pelo caminho. O objectivo é arrebanhar os votos expressos nos concorrentes derrotados, pedindo às respectivas cúpulas políticas que mobilizem o eleitorado em seu favor.
Para já, Horta garantiu o apoio de Lúcia Lobato, Xavier do Amaral, Avelino Coelho e João Carrascalão, mas ainda não conseguiu convencer Manuel Tilman e Fernando "Lasama" de Araújo a fazerem o mesmo.
Tilman admitiu que só nos próximos dias vai tomar posição, dependendo dos acordos que se possam formar já a pensar nas próximas legislativas.
Quanto a «Lasama» de Araújo, que representa quase 20 por cento dos votantes na primeira volta, a decisão também deve passar pela definição da estratégia para as parlamentares, embora o candidato admita «indicar o voto num dos candidatos, não votar ou dar liberdade de escolha a cada um dos nossos companheiros e eleitores».

Contra-informação

Entretanto, na afã de denegrir qualquer figura que se manifeste favorável à candidatura de Lu Olo, Ramos-Horta acusou o ministro do Trabalho e da Reinserção Comunitária, Arsénio Bano, de distribuir arroz a grupos de artes marciais em troca de votos para o designado pela Fretilin.
Bano respondeu a Horta considerando a declaração «uma tristeza». O responsável governamental explicou que devido à seca e a uma praga de gafanhotos em Bobonaro e Ermera, as populações locais encontram-se quase totalmente dependentes da ajuda do governo central e disponibilizou-se a prestar as informações necessárias para que não subsistam dúvidas sobre o processo.
Pelo contrário, retorquiu Arsénio Bano, é Ramos-Horta quem deve clarificar ao povo porque razão anda a distribuir cobertores e frutos secos quando suspendeu as funções de primeiro-ministro para se empenhar justamente na batalha eleitoral.


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