«Vamos a mais uma jornada de luta, camarada!»
CDU quer eleger mais deputados
<font color=0069dd>Todos os votos contam</font>
A campanha eleitoral para as eleições legislativas antecipadas de 6 de Maio na Madeira, provocada pela demissão de Alberto João Jardim do cargo de presidente do Governo Regional, começou no domingo. A CDU, sempre com as populações, foi até aos Corticeiros, Bairro de Santa Maria e São Gonçalo.
A partida para qualquer iniciativa da CDU sai sempre da Sede do PCP, na Rua da Carreira, n.º 139, uma das mais movimentadas e emblemáticas da cidade do Funchal. Ali, depois de um breve café para acordar, dezenas de pessoas carregaram os materiais de campanha (folhetos, canetas, t-shirt’s) e puseram-se a caminho.
O destino, desta vez era a Igreja do Estreito, nas Corticeiras. Este é um ritual utilizado, aos domingos, de manhã, por todas as forças políticas, até porque é ali, nas igrejas, que se concentra grande parte da população.
«CDU, a força em que se pode confiar», ouvia-se nos altifalantes dos carros de apoio. O ambiente era de descontracção, alegria e confiança. «Vamos a mais uma fornada de luta, camaradas», dizia um, apelando a que entrassem dentro das viaturas. «Temos que lá estar por volta das 10h00», acrescentou.
Saímos então da cidade do Funchal e deslocamo-nos para os Corticeiros. Não foi um percurso muito demorado e à hora marcada lá chegámos. À medida que íamos subindo as plantações de bananeiras desapareciam e davam lugar à agricultura e à produção de cerejeira. No entanto, não era essa a forma de subsistência daquela gente. A grande parte dos homens trabalha na construção civil e as mulheres no turismo (ajudantes de cozinha, empregadas de mesa, etc.).
Quando a missa terminou centenas de pessoas passaram então pela comitiva. «Eleger mais deputados da CDU é a garantia de mais força para as lutas da população, na defesa dos seus direitos», afirmou Edgar Silva, dando conta que, pela primeira vez, «nenhum voto se vai perder. Os vossos votos serão decisivos para eleger mais deputados da CDU».
«Elegemos dois deputados com o apoio da população do Funchal. Nas últimas eleições, foram desperdiçados quase mil votos em Câmara de Lobos. Mas agora, pela primeira vez, nenhum voto se vai perder, e o voto que conta é na CDU», frisou o cabeça de lista.
«Os direitos aqui foram conquistados a palmo e os habitantes do Jardim da Serra sabem-no bem», afirmou Edgar Silva, dando como exemplo a criação da Junta de Freguesia.
«Agora as cerejeiras estão em flor. Para que possam dar bom fruto, no dia 6 de Maio, é preciso concentrar os votos e dar mais força à CDU», terminou.

Fartos de promessas

Após este mini-comício, era tempo de seguir viajem, agora em direcção ao Bairro de Santa Maria. Este é o típico exemplo do que os sucessivos governos da região, com o apoio da autarquia, nada fizeram nos últimos 30 anos. Andam a prometer, há mais de 30 anos, condições condignas de habitabilidade para as pessoas, no entanto nada fizeram.
Às portas da cidade do Funchal, este é um daqueles bairros onde os turistas não vão certamente.
Com a chegada da CDU, anunciada ao som da Carvalhesa, todos quiseram cumprimentar e falar dos seus problemas a Edgar Silva. «Aqui, no Bairro de Santa Maria, todos sabemos como as pessoas estão já cansadas de promessas. O PSD, em cada acto eleitoral, vem aqui prometer novas habitações, um novo bairro, mas a verdade é que logo esquece aquilo que prometeu», denunciou o cabeça de lista da CDU, lembrando, a nível regional e nacional, que «há partidos com responsabilidades em relação a um conjunto de políticas de direita, que só têm vindo a aumentar os problemas dos trabalhadores e das populações».
«As populações sabem que em Portugal, quer o PS quer o PSD, em relação aos trabalhadores, tudo tem feito para acabar com os direitos de quem trabalha», afirmou, lembrando que os votos dos mais desfavorecidos «não deverão ser entregues a Jaime Ramos, Alberto João Jardim, Berardo, ao Pestana, aos grandes patrões da Madeira».
Edgar Silva fez ainda um apelo à população. «Quinta-feira (hoje), irá realizar-se uma reunião pública na Câmara Municipal do Funchal. É hora de exigir-mos que as promessas sejam compridas», apelou.
«Isto tem que acabar. Para que não fique tudo na mesma é necessário que a CDU tenha mais votos e mais deputados», assegurou.
Após a intervenção de Edgar Silva aconteceu um episódio, no mínimo, curioso. Um carro de som do PSD dava conta da chegada de uma comitiva «laranja». Não sendo muito numerosa, sem quase falar às pessoas, anunciavam uma grande festa, com a intervenção de um músico pimba de renome. Às crianças ofereceram isqueiros. Aos adultos, que começam a não acreditar na sua mensagem, as mesmas promessas que há 30 anos atrás. «Devia era ter vergonha. Já não podemos ver o Alberto João à frente», resmungou uma senhora ao motorista daquela viatura.
Algumas dezenas de metros mais abaixo, em direcção ao mar, fica São Gonçalo. Com uma paisagem deslumbrante, com vista sobre o Funchal, as condições daquela freguesia são idênticas ao do Bairro de Santa Maria.
Às crianças a CDU ofereceu t-shirt’s e canetas. Aos adultos os documentos com as suas medidas e propostas. «Se quiserem que os ricos fiquem cada vez mais ricos, então votem no PSD. Se quiserem que o ataque aos trabalhadores continue, como está a fazer o Governo do Sócrates, então votem no PS. Mas se quiserem ter deputados que estejam do lado da população e dos trabalhadores, na defesa dos direitos sociais, só têm um caminho: é o voto na CDU», acentuou Edgar Silva.

Marcha nas Zonas Altas
CDU exige voto útil


No sábado a pré-campanha foi até às Zonas Altas do Funchal. Depois do almoço, largas dezenas de pessoas, empunhando bandeiras de todas as cores, concentraram-se no Largo do Encontro, em São Roque. O objectivo foi o de fazer uma marcha de apelo ao voto na CDU. Esta iniciativa terminou com uma grande concentração na Romeira.
«O que está em causa no dia 6 de Maio é a necessidade de se elegerem deputados úteis para as populações e para os trabalhadores», afirmou, na ocasião, Edgar Silva, lamentando que os eleitos das outras cores políticas, no Parlamento Regional, tenham votado certas medidas «contra os interesses das populações».

5 compromissos com os madeirenses

Progresso e desenvolvimento na região
Um compromisso com o desenvolvimento económico sustentado, respeitador do ambiente e criador de emprego, assente na defesa do sector produtivo regional e na afirmação dos recursos naturais da região.

Pelos direitos sociais e pela justiça social, contra a pobreza e a exclusão
Em defesa dos direitos fundamentais de acesso à saúde, à habitação, ao ensino e á cultura. Um compromisso com a política de combate às desigualdades assente numa outra política fiscal que penalize os chocantes lucros da banca e dos grandes grupos económicos e que desagrave os impostos sobre os trabalhadores, as populações e as pequenas e médias empresas.

Em defesa dos trabalhadores e dos seus direitos
Um compromisso de valorização e dignificação do trabalho, de defesa do trabalho com direitos, de combate à precariedade e à exploração, de valorização e formação dos recursos humanos.

Pela melhoria das condições de vida da população
Em defesa do direito a condições de vida dignas, a uma habitação saudável, a infra-estruturas básicas, a transportes acessíveis e seguros, ao lazer e à cultura.

Mais democracia e liberdade, contra o autoritarismo e corrupção
Um compromisso com vista a valorizar a participação das populações e de cada cidadão na decisão política e a combater as redes e os mecanismos que promovam o infame «Factor C» (cumplicidade, compadrios e cunhas) e a extirpar a corrupção na sociedade madeirense.

Medidas imediatas

Para responder à crise económica e social e defender os interesses e direitos do povo madeirense, foram ainda apresentadas nove medidas que os deputados da CDU se comprometem a apresentar e defender:

Acréscimo de sete por cento ao Salário Mínimo Nacional a vigorar na Região;
Complemento de 65 euros para as pensões e reformas inferiores ao Salário Mínimo Nacional;
Elaboração do Plano Regional de Combate ao Desemprego;
Aprovação de um programa de erradicação da pobreza e dos problemas habitacionais na Região;
Melhoria e alargamento dos cuidados de saúde e defesa do sector público;
Promoção do aumento dos apoios à Acção Social Escolar;
Definição do Plano Estratégico da Defesa dos Sectores Económicos;
Implementação de uma estratégia regional de combate à corrupção;
Renegociação com o Governo da República e a Comissão Europeia sobre a real situação da RAM e o seu desenvolvimento.

Isabel Rute Cardoso
Defender os madeirenses


Isabel Rute Cardoso, professora, 41 anos, é candidata da CDU às Eleições Regionais da Madeira. O seu objectivo, segundo contou ao Avante!, é só um: «Acabar com o “jardinismo”».
«São mais de 30 anos de “jardinismo” que vêem da estrutura do antigo regime. São as mesmas pessoas, as mesmas caras, e o único aspecto que têm de novo é terem criado uma elite», acusou, sublinhando que a CDU «é a acção da coragem, da defesa intransigente dos direitos de aqueles que não têm voz, que foram completamente excluídos da institucionalização do “jardinismo”».
Caso seja eleita, Isabel Rute Cardoso promete continuar o bom trabalho desenvolvido na anterior legislatura. «O nosso Grupo Parlamentar é o que tem apresentado mais trabalho e correspondido às expectativas das pessoas. É uma honra que me tenham convidado para trabalhar com e para o PCP. O meu contributo será o de reforçar o trabalho que tem vindo a ser feito na Madeira», afirmou.

Artur Andrade
Revolta, determinação e unidade


Artur Andrade, vereador da CDU na Câmara do Funchal, é outro dos candidatos da CDU. Para ele, o momento actual «é de revolta». «Revolta contra as políticas de direita do PSD na região e do Governo de Sócrates no País, políticas essas que descarregam a crise sobre os trabalhadores e agravam as suas condições de vida e de trabalho».

Leonel Nunes
O voto é uma arma


«Infelizmente são os trabalhadores os grandes prejudicados com esta situação. Quanto são enganados com as promessas eleitorais dos senhores do PSD e do PS que, em campanha abraçam, beijam, fazem promessas que depois no poder, não cumprem», alerta Leonel Nunes, outro dos candidatos da CDU.
«Em vez de mais emprego aumenta o desemprego, a precariedade laboral, os salários em atraso, os salários de miséria, o medo de reivindicar direitos, aumentam os impostos e a vida cada vez mais cara», afirma o também sindicalista, lembrando que «esta situação não é uma fatalidade, é possível mudar. Os trabalhadores não podem continuar a acreditar nesta gente.»

Mário Tavares
Olhos bem abertos


Mário Tavares é o mandatário da lista da CDU. Para ele «os votos na CDU terão que ser mais numerosos para que se consiga fazer uma oposição firme e forte de resistência, perante um poder que caça, esconde e domina.
Para combater essa situação, segundo ele, é necessário «um esclarecimento válido e abrangente junto das pessoas» e «um acompanhamento sempre presente no tecido vivo das comunidades, para que os problemas dos lugares e dos seus habitantes ganhem a resposta adequada».
«A alavanca para dar a volta à pedra, para dar a volta a esta política, terá que corresponder ao tamanho da dificuldade. Dar o voto não pode continuar a ser como ir às compras de olhos cegos, contentando-se apenas com as aparências da exposição», acentua Mário Tavares, acrescentando: «No voto estamos a construir ou a estragar o nosso futuro. Portanto, olhos abertos e decisão pensada e firme.»


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