Retrato social da Madeira
<font color=0069dd>Tempo perdido</font>
A Madeira é uma região com dinheiro a mais para tão poucas transformações de fundo. Só nos últimos 20 anos de integração comunitária recebeu cerca de dois mil milhões de euros, dinheiro que deveria ser empregue para as chamadas ajudas ao desenvolvimento.
«Recebemos, como região periférica, mais 33 por cento de ajudas do que outras regiões de objectivo 1. Esse dinheiro fez-se sentir naquela que é a paisagem visível da Madeira, tendo a geografia da ilha se alterado. A própria organização do território sentiu os impactos desse dinheiro», afirmou Edgar Silva, acrescentando: «Há de facto, ao nível de uma rede viária, infra-estruturas de vulto que foram construídas, dando um ar de modernização à ilha».
No entanto, continuou, «isso não significou um investimento gerador de desenvolvimento e de transformação». «Passados 30 anos, não conseguimos utilizar os dinheiros públicos para correctas políticas de investimento nos sectores produtivos, na formação e na qualificação, na transformação das mentalidades, de forma a enfrentar os desafios do futuro», afirmou Edgar Silva.
Agricultura é disso exemplo. A produção de banana era uma das principais fontes de riqueza e de exportação da ilha. «Tínhamos uma produção média que rondava as cem mil toneladas. Hoje, produzimos 13 mil e não conseguimos garantir uma correcta protecção regional deste produto e da sua comercialização no espaço europeu», lamentou, informando «que as portas estão franqueadas para os produtos vindos de outros continentes, de outras proveniências».
Como consequência destas políticas, «o número de agricultores teve uma quebra fulminante», frisou Edgar Silva.
Também as pescas sofreram com a política de destruição de Alberto João Jardim e dos sucessivos governos da República. «As pescas chegaram a representar cinco por cento do Produto Interno Bruto (PIB) regional. Hoje não chegam ao um por cento. A parte dos financiamentos europeus veio apenas para o abate de embarcações, o que fez com que o número de pescadores tenha vindo a decrescer», acusou.
Edgar Silva acusou ainda o presidente do Governo Regional de não falar verdade quando afirmou, recentemente, que seria importante para a região que se estabelecesse uma marca de referência de conservas de peixe na ilha.
«Há 20 anos prometeram-nos o mesmo. Tínhamos uma grande tradição na indústria conserveira, com muitas fábricas. Vieram verbas para a formação de activos, modernização das antigas fábricas e construção de novas. Entretanto, este sector desapareceu», denunciou.

Crise profunda

Também, o mundo rural recebeu, só no último plano de desenvolvimento, 31 milhões de contos. Entretanto, esse dinheiro esgotou-se. «Como é possível explicar que, depois da ajuda comunitária, o mundo rural esteja pior?», interrogou o cabeça de lista da CDU.
Edgar Silva alertou também para os problemas do sector dos vimes e dos bordados, que nos últimos anos deixaram milhares de trabalhadores no desemprego.
«Quiseram fazer da Madeira uma zona de serviços, com uma forte aposta no turismo. No entanto, esses objectivos corresponderam a um autêntico fracasso», acentuou, frisando ainda que, hoje, «o turismo experimenta uma crise profunda, com alguns hotéis a fechar».
Depois, acrescentou, «foi um fisco completo tudo o que foi prometido para a Zona Franca e para o Centro Internacional de Negócios. Fazer da Madeira uma zona ao serviço da grande especulação financeira, ao nível internacional, não correspondia nem corresponde a uma solução que interesse ao desenvolvimento regional.»

Uma mentira de todo o tamanho!

A CDU da Madeira está no terreno junto das populações e com os trabalhadores, dia após dia. Não é só quando há eleições que os eleitos do PCP desenvolvem actividades em apoio às justas reivindicações das pessoas, em defesa dos seus direitos e da justiça social.
No passado dia 17 de Abril, Edgar Silva, acompanhado por vários dirigentes e activistas da CDU, deslocou-se à Freguesia de Santo António, Zona 4 do concelho do Funchal, para denunciar as promessas nunca concretizadas pelo Governo Regional e pela Câmara Municipal. Em causa estão as acessibilidades, impraticáveis para qualquer condutor menos experiente, as infra-estruturas e a recuperação dos bairros locais, nomeadamente o de Santa Maria e São Gonçalo.
«Aqui, em Viana, à beira das últimas eleições, foram pródigos em fazer promessas», denunciou o cabeça de lista da CDU, acusando Santos Silva (Governo Regional) e Miguel Albuquerque (Câmara do Funchal) de terem mentido às pessoas.
«Onde é que está a estrada?», «onde é que está a ponte?», «onde é que estão as infra-estruturas?», «onde é que estão as apostas na requalificação de toda esta área?», interrogou Edgar Silva, sublinhando que, agora, «o povo tem que ter em conta quem prometeu e não cumpriu, quem enganou, quem fez propaganda enganosa, quem vendeu gato por lebre. E, na hora de votar, é importante ter isso em conta.»
«Porque é preciso avivar as memórias», o cabeça de lista da CDU lembrou ainda que os deputados têm, também, a função de fiscalizar os actos do Governo Regional. «Porque estamos na linha da frente nesse trabalho, não lhe iremos dar tréguas. Aqui está este exemplo, outros mais podíamos dar deste poder e não cumprir, deste enganar as populações», concluiu.

Muito mais do que militância

Cai a noite na cidade do Funchal. Após um longo e exaustivo dia de pré-campanha eleitoral, os comunistas madeirenses preparam-se para mais uma colagem de propaganda. Formam-se duas equipas. Os carros de apoio estão apetrechados com todos os materiais necessários: latas com cola, arame, vassouras, alicates e, como não podia deixar de ser, os cartazes.
A ilha, que nos leva a crer que é um jardim à beira mar plantado, transforma-se com o tombar do sol. Nos cantos mais escuros das principais vias da cidade, junto aos hotéis de luxo, surgem mulheres, jovens na sua maioria, a «vender», por alguns minutos, o seu corpo. Esta, por mais que a queiram esconder, é a realidade da Madeira.
A jornada de trabalho só acaba quando as duas equipas se juntam. Terminada esta tarefa, os camaradas despedem-se e encaminham-se para as suas casas. «Até amanhã camaradas. Descansem que amanhã é dia de luta», disse um deles. «Esta é gente de luta», digo eu.

Os trabalhadores precisam da CDU

Mais de uma centena de delegados sindicais participaram, dia 18 de Abril, num almoço de apoio à candidatura da CDU. «É com muita alegria que hoje estou com aqueles que, no seu dia a dia, lutam pelos direitos dos trabalhadores», afirmou Leonel Nunes. Esta iniciativa contou com a presença de Edgar Silva, Isabel Rute, Marta Freitas, Diamantino Alturas, todos candidatos pela lista da CDU.
Porque esta é uma data que não se pode esquecer, o candidato à Assembleia Regional da Madeira lembrou ainda a luta, nas ruas do Funchal, dos trabalhadores da hotelaria, à 30 anos atrás, «pela liberdade e pela democracia do seu sindicato». «Foi uma das mais belas jornadas de luta que aconteceram na Região Autónoma da Madeira», recordou, sublinhando que «a partir desse dia, os governantes começaram a ter mais respeito por quem trabalha. Contribuiu, de igual forma, para que outros trabalhadores partissem para outras lutas, restaurando a democracia em muitos sindicatos».
Reportando-se para o momento, Leonel Nunes deu ainda conta que ali estavam os representantes da maioria absoluta dos trabalhadores da região. «Trabalhadores que no seu dia a dia se confrontam com as dificuldades e com as promessas nunca concretizadas pelos sucessivos governos da República e da Região Autónoma da Madeira», denunciou.
Acusou ainda o Governo PS, de ter mentido aos portugueses quando prometeu criar 150 mil novos postos de trabalho, e o Governo Regional da Madeira, «que garantiu emendar os aspectos mais gravosos do Acordo de Trabalho».
«Estão aqui, nesta sala, homens e mulheres que no passado não apostaram no nosso projecto. Hoje estão com a CDU», garantiu, apelando, no dia 6 de Maio, ao voto «naqueles que nunca viraram as costas aos trabalhadores».
«Não asseguramos milagres, mas sim muita luta e muito esforço, porque os trabalhadores precisam de nós neste momento difícil», terminou.

PS e PSD enganam a população

Faltam três dias para o arranque oficial da campanha eleitoral na Madeira. Ainda o sol não dava ares da sua graça, por volta das cinco da manhã, já os militantes, eleitos e activistas da CDU estavam na rua, desta vez, para uma distribuição de propaganda junto daqueles que, ainda ensonados, se deslocavam para os seus locais de trabalho. Esta não é, para eles, uma iniciativa única. Durante todo o ano, uma vez por mês, ao contrário das outras forças políticas, criaram o hábito de ir para junto das pessoas e lembrar que existe uma verdadeira oposição à política de direita e um projecto alternativo, o da CDU.
A meio da manhã, que mais parecia meio da tarde, estes camaradas dirigiram-se para a Zona Franca, no Caniçal, uma espécie de zona industrial, para denunciar a crise económica e social que se abate na Região Autónoma da Madeira.
«Há mais de 25 anos que não tínhamos uma crise com esta dimensão. A Madeira é a única zona do País onde a tendência do desemprego é para crescer. Este é um indicador não só do insucesso do desenvolvimento mas também do fracasso daquela que tem sido a aposta do Governo Regional», afirmou, na ocasião, Edgar Silva.
Denunciou ainda, para os mais esquecidos, as promessas feitas pelo PSD ao longo dos anos. «Prometeram criar, para aqui (Zona Franca), três mil postos de trabalho, mas, segundo os dados oficiais, existem apenas cerca de 700», revelou.
O PS não faz por menos. Para estas eleições prometeu oito mil postos de trabalho, dois mil dos quais para a Zona Franca.
«Esta gente não tem vergonha», acusou, apelando para que «no acto do voto as pessoas tenham consciência da gravidade destas irresponsabilidades, de quem tanto mente e engana a população».

«Vista do Amanhecer na Madeira»

A parte da tarde teve uma componente diferente. Foi inaugurada, no centro do Funchal, na Galeria «Arcadas do Pelourinho», uma exposição intitulada «Vista do Amanhecer na Madeira».
«Mais uma oportunidade para os madeirenses subirem ao alto de si próprios e aspirarem os novos ares da ilha onde nasceram e por que lutam», lê-se no catálogo. Nesta exposição sente-se a solidariedade de alguns dos grandes nomes da arte portuguesa para com novas perspectivas de justiça social e renovação política na Região Autónoma da Madeira. «E que não seja em vão este gesto, afinal, colectivo, para o despertar das consciências», continua o documento.
Entre os vários nomes, constam Acácio de Carvalho, Alberto Péssimo, Alcino Soutinho, Álvaro Siza Vieira, Américo Moura, Ângelo de Sousa, Armando Alves, Carlos Reis, Céu Costa, Domingos Lopes, Eduardo Soutom Moura, Jaime Azinheira, Jaime Isidro, Jorge Pinheiro, José Emídio, José Rodrigues, Júlia Pintão, Luís de Melo, Luísa Gonçalves, Manuela Bronze, Roberto Machado, Rodrigo Cabral/Isabel Cabral, Rogério Ribeiro, Rui Anahory, Souto Moura e Zulmiro de Carvalho.

Apoiar o ensino superior

Foi junto à Universidade da Madeira, que os comunistas acusaram, sexta-feira, o Governo da República e o Governo Regional de retirarem apoios ao ensino superior, prejudicando as universidades portuguesas e de um modo particular, a Universidade da Madeira. Edgar Silva disse, aos jornalistas, «que não se pode dar o voto a quem mais não faz senão cortar as pernas às universidades».

Denunciar políticas erradas

Com um olhar atento sobre a realidade da Madeira, a CDU acusou, entretanto, o Governo Regional de estar a fazer uma «má gestão» do património da Região. Após uma visita à Quinta dos Ilhéus, que outrora já acolheu diversos serviços públicos, Artur Andrade, vereador na Câmara do Funchal, criticou o facto de a mesma, de elevado interesse para a cidade, não só pelo edifício, como pelas árvores, estar actualmente em estado de degradação.
O comunista criticou ainda o Executivo camarário de estar a alugar e a comprar espaços para acolher alguns dos seus serviços e, simultaneamente, «manter edifícios que são propriedade sua em estado de degradação». «É uma forma de gerir o património irresponsavelmente», afirmou à comunicação social.
Numa outra visita, desta vez à zona de Trapiche, em Santo António, Edgar Silva chamou à atenção da população para a importância da luta na obtenção de direitos iguais para todos os cidadãos e lembrou que tem sido a CDU que tem estado ao lado dos moradores, na luta pelas suas aspirações.


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