Reforma agrária na Venezuela
Guerra ao latifúndio
A democratização da terra na Venezuela conheceu, este fim-de-semana, um renovado impulso com o resgate para as mãos do Estado de mais de 300 mil hectares de terrenos férteis e o anúncio público do incremento do programa de reforma agrária no quadro da revolução bolivariana em curso.
Para o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o processo representa um efectivo combate ao latifúndio que durante décadas dominou a propriedade fundiária no país e, simultaneamente, um forte e sério investimento nos mecanismos de propriedade e produção social de géneros alimentares absolutamente essenciais à sobrevivência de centenas de milhares de famílias venezuelanas.
A guerra declarada ao latifúndio permitiu, nos últimos cinco anos, reverter quase dois milhões de hectares de solo arável, 49 por cento dos quais entregues a camponeses sem terra, 40 por cento afectos a projectos estatais de desenvolvimento agrícola com forte investimento tecnológico e os restantes 11 por cento geridos por unidade cooperativas. Os terrenos agora recuperados serão repartidos em 16 estruturas produtivas e são considerados um importante passo na política direccionada aos cerca de 30 milhões de hectares férteis do país, a esmagadora maioria dos quais na posse de agrários absentistas.

Latifúndio responde com violência

Apesar da dimensão e do esmagador apoio popular à reforma agrária, a iniciativa deste domingo mereceu da parte dos latifundiários uma resposta violenta. Só a pronta e decidida acção do povo e dos militares envolvidos evitou a escalada dos confrontos.
Na província de Apure, a aliança cívico-militar foi obrigada a responder ao ataque de um grupo armado. De acordo com as autoridades, os milicianos estavam munidos de metralhadoras e pistolas automáticas. Durante as operações de busca no terreno foi ainda encontrada uma avioneta que se julga ter estado ao serviço do narcotráfico na região.

Resultados da revolução

Paralelamente aos acontecimentos nos campos, Chávez revelou, no decurso do rubrica semanal «Alô Presidente», alguns dos resultados mais significativos do programa de saúde pública na Venezuela.
De acordo com os dados apresentados pelo chefe de Estado, a missão Bairrio Adentro I permitiu salvar mais de 43 mil vidas, número para o qual contribuiu em muito a intervenção gratuita de milhares de profissionais de saúde cubanos que, desde 2003, realizaram aproximadamente 229 milhões de consultas. Do ponto de vista das estruturas, estão neste momento em funcionamento 52 por cento das instalações inicialmente previstas, entre centenas de centros de alta tecnologia e diagnóstico integral, salas de reabilitação e outras unidades vocacionadas para os cuidados de saúde primários.


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