Breves
Afegãos fogem dos bombardeamentos
Milhares de pessoas estão a abandonar Musa Qala, na martirizada província de Helmand, no Sul do Afeganistão, receosas de novos bombardeamentos da OTAN sobre a cidade, envolta em combates entre ocupantes e resistência.
Sexta-feira da semana passada, um grupo de 200 guerrilheiros insurgentes tomou de assalto Musa Qala, ocupou as sedes administrativas e desarmou as autoridades fiéis ao governo de Cabul. As populações em fuga temem agora a resposta da aviação das forças norte-americanas e a incursão das tropas afegãs que entretanto sitiaram a zona urbana.
O distrito de Musa Qala encontra-se sob administração dos chefes tribais locais, fruto de um acordo estabelecido em Outubro com o comando da ISAF. Os guerrilheiros acusam os ocupantes de terem bombardeado o território, por isso exigem que Hamid Karzai assegure o fim das hostilidades para que a calma e a ordem instaurada regressem à cidade.
Dias antes, terça-feira, também em Helmand, as tropas britânicas foram acusadas de bombardearem, violentamente e sem justificação, uma localidade afegã. Londres diz que se tratava de uma base «taliban», mas as populações rejeitam tais afirmações.

RPD da Coreia teme ataque
Segundo informações divulgadas pela agência de notícias norte-coreana, os EUA podem estar a preparar um ataque preventivo contra o país.
A KNCA cita uma fonte militar de Pyongyang que sustenta que os norte-americanos estão em manobras no vizinho do Sul. Nas operações supostamente levadas a cabo por Washington estão envolvidos caças F-15, F-A18 e bombardeiros estratégicos B-52 estacionados na base de Guam, no Pacífico, capazes de transportar bombas com carga nuclear.
Após meses de interregno, as partes aceitaram regressar à mesa das negociações, de forma a sanar o diferendo nuclear entre ambas. Apesar disso, dizem os norte-coreanos, Washington não deixou de promover exercícios militares, tendo mesmo deslocado para a região um forte dispositivo. 20 aviões F-117 foram recentemente colocados na Coreia do Sul, e a Okinawa, no Japão, chegaram nos últimos dias um esquadrão de F-22.

Situação difícil no Saara Ocidental
Mohamed Ould Salek, ministro das Relações Exteriores da República Árabe Saaraui Democrática (RASD), rejeitou a proposta que Marrocos pretende levar à sede das Nações Unidas, em Abril próximo, sobre o estatuto dos territórios ocupados em 1975.
Em conferência de imprensa realizada em Argel, capital da Argélia, o dirigente da Frente POLISARIO considerou o projecto de Rabat um atentado ao direito internacional e à própria ONU, instituição que aprovou, em diversas resoluções do Conselho de Segurança, a obrigatoriedade da realização de um referendo sobre a independência do Saara Ocidental.
Salek disse ainda que a autonomia face a Marrocos não é negociável e que a Frente POLISARIO continuará a lutar pela independência da sua terra, mesmo nas condições mais difíceis. A propósito, o responsável lembrou que está em curso uma campanha do governo marroquino contra as populações acantonadas nos campos de refugiados. Desde Outubro de 2006 que não é possível fazer chegar víveres em quantidade suficiente aos acampamentos, e o próprio Crescente Vermelho denuncia que entre o povo se multiplicam os casos de carência alimentar grave, sobretudo afectando mulheres e crianças.
A meio do passado mês de Janeiro, a organização humanitária já havia lançado um apelo internacional sobre esta matéria, pedindo o envio de legumes secos, azeite, açúcar, farinha e leite, bens que podem ajudar a suprir as necessidades mais prementes em localidades como Tinduf, onde vivem 200 mil refugiados.
O Crescente Vermelho apelou também ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), actualmente sob a direcção do ex-primeiro-ministro português António Guterres, para «assumir as suas responsabilidades face à ameaça que a fome representa para os refugiados saarauis, se a actual situação se prolongar».

Cheias em Jacarta
Milhares de pessoas, cerca de 340 mil segundo as autoridades locais, ficaram desalojadas na sequência das cheias do passado fim-de-semana na Indonésia. Até agora o governo contabilizou 29 mortos, mas estima que o número possa subir, uma vez que 75 por cento da área da capital, Jacarta, foi afectada pela intempérie.