Guerrilheiros no parlamento
A guerrilha nepalesa assumiu, segunda-feira, 83 dos 330 lugares do novo parlamento do país, isto na sequência da adopção por parte daquele órgão legislativo de uma carta magna provisória que retira os poderes absolutos rei Gyanendra e devolve a autoridade ao órgão executivo fiscalizado pela câmara dos deputados.
A aceitação dos cargos por parte da guerrilha é considerado um passo importante na consolidação das transformações políticas no país, envolto numa guerra civil desde 1996, na qual se estima que tenham morrido mais de 12 mil pessoas.
Para Junho deste ano, estão previstos dois sufrágios: as eleições para a assembleia constituinte; e um referendo no qual o povo se deve pronunciar a favor ou contra a instauração de um regime republicano, em substituição da monarquia agora suspensa.
A saída para a crise política e social, iniciada em Março de 2006 com uma onda de greves gerais e protestos de massas, só foi possível após a celebração de um acordo entre os sete principais grupos da oposição ao rei Gyanendra e a direcção da guerrilha, concluído no passado dia 21 de Dezembro.
A guerrilha comprometeu-se ainda a entregar as armas e a transformar-se em partido político caso todos os pressupostos do acordo sejam cumpridos pelas partes. O acantonamento dos soldados e a recolha do material beligerante ficará a cargo da ONU, cujos efectivos devem começar a chegar ao Nepal durante a próxima semana.


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