Nalguns casos, os acessos aos serviços fazem-se por escadas íngremes
Pior dos cenários em Alenquer
16 por cento da população não têm médico de família
A população do concelho de Alenquer tem graves dificuldades para aceder a uma consulta médica, alerta os vereadores comunistas.
«Os dados não poderiam ser piores», refere o pelouro da Saúde da Câmara Municipal de Alenquer, em nota enviada ao Avante!, denunciando que, além das péssimas condições, «a rede local de cuidados de saúde primários não consegue garantir assistência médica de clínica geral a um universo de cerca de 6500 utentes inscritos no Serviço Nacional de Saúde».
A estes «excluídos» do sistema público «somam-se as inúmeras dificuldades de trabalho e de resposta do sistema», continua o documento, que destaca os problemas de recursos humanos, particularmente a falta de médicos de clínica geral, «com os casos mais dramáticos a incidir no Carregado e Abrigada».
De acordo com o pelouro da Saúde da Câmara de Alenquer, que está sobre a competência do PCP, «a maioria das instalações não foi construída para o efeito, tendo algumas das extensões da saúde, além de péssimas condições de conservação, características funcionais que impedem a mobilidade e a acessibilidade». Nalguns casos, constatou-se que os acessos se fazem por escadas íngremes, como na Abrigada e no Olhalvo.
Outro dos problemas apontados é o envelhecimento nas freguesias rurais, com as respectivas instalações de saúde a ficarem limitadas pela falta de investimento público na conservação dos imóveis utilizados.
No âmbito deste levantamento geral, foi realizada uma análise exaustiva de processos que dependem da emissão de alvarás sanitários e confirmou-se a existência de uma extensa lista de iniciativas económicas locais, num total de quarenta e seis processos, cuja esmagadora maioria tem data anterior ao ano 2000, alguns dos quais com mais de vinte anos de espera.
A convite do Grupo Parlamentar do PCP, o pelouro da Saúde participou recentemente numa audição sobre os serviços públicos, denunciando «o forte abandono» a que a rede concelhia tem sido vetada. Os autarcas solicitaram também à direcção da Sub-Região de Saúde de Lisboa uma reunião sobre os investimentos necessários.

Urgente colocação

Entretanto, na sequência das várias interpelações e propostas do pelouro da Saúde, foi aprovada por unanimidade uma moção relativa à necessidade de se nomear um médico para a extensão de Santana da Carnota.
«Com a aposentação do único médico de família, os utentes têm estado irremediavelmente limitados no acesso à prestação de cuidados primários de saúde», afirma o documento.
Como solução provisória, a direcção do Centro de Saúde de Alenquer adequou o acesso destes utentes a consultas de recurso limitadas, aumentando o número de utentes pelos clínicos abrangidos por esta medida, na sede de concelho, com óbvios reflexos na qualidade dos respectivos serviços públicos de saúde.


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