Breves
Hamas admite tréguas
O movimento independentista palestiniano Hamas está disposto a pôr fim à luta armada contra Israel se as autoridades de Tel Avive retirarem dos territórios ocupados e reconhecerem os direitos reclamados pelos palestinianos.
As declarações do novo chefe de gabinete do Hamas, Khaled Mechta, revelou que o futuro governo da Autoridade Nacional Palestiniana pretende estabelecer com Israel uma «trégua de longa duração», isto se, explicou, «Israel se retirar para trás das fronteiras de 1967».
O primeiro sinal da disposição do Hamas em dialogar com Israel - país que até à vitória no sufrágio de 25 janeiro passado o movimento pretendia ver «destruído» – foi dado após a confirmação dos resultados eleitorais, quando dirigentes do partido ordenaram aos militantes que entregassem as armas.
Da parte dos israelitas e do seu mais fiel aliado político, os EUA, as reacções são de desconfiança e retaliação. Ambos os países já tomaram medidas para boicotarem os financiamentos à ANP, tidos como indispensáveis para o regular funcionamento do governo e a manutenção da segurança na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

PAICV ganha presidenciais
O candidato do PAICV e actual Chefe de Estado de Cabo-verde, Pedro Pires foi eleito para um segundo mandato na presidência da república.
Com todos os boletins de voto já apurados e uma abstenção próxima dos 47 por cento, Pires ganhou a confiança de cerca de 50,8 por cento dos eleitores, evitando assim uma segunda volta.
O candidato do Movimento para a Democracia (MpD), Carlos Veiga, reconheceu a justeza das eleições de domingo e a legitimidade da vitória de Pires, mas deixou em aberto a possibilidade de pedir a impugnação das eleições. Veiga não ficou muito longe do histórico militante do PAICV, obtendo pouco mais de 49 por cento dos votos, a menos de 3 três mil do futuro presidente.
Em declaração oficial na sede da sua candidatura, Pedro Pires disse que os objectivos do próximo mandato de cinco anos passam pelo «aprofundamento da democracia, com cidadãos mais livres, instituições críveis e justiça igual para todos».
Durante a próxima semana, o Supremo Tribunal de Justiça deverá pronunciar-se sobre a validade das eleições presidenciais, bem como tomar posição quanto às queixas de fraude apresentadas pelo MpD respeitantes às recentes legislativas, ganhas igualmente pelo PAICV.

Protestos no Haiti
Pelo menos um morto e dezenas de feridos é o resultado dos confrontos, segunda-feira, entre soldados da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) e milhares de haitianos que se mobilizaram para exigir a recontagem dos resultados eleitorais.
Junto ao aeroporto de Port-au-Prince, os soldados mandatados pela ONU após a invasão do país e a destituição do então presidente, Jean Bertrand Aristide, em 2004, abriram fogo sobre a multidão, embora a versão oficial apenas admita «tiros para o ar».
Os protestos duram à dias na capital do Haiti. Os manifestantes ergueram barricadas um pouco por toda a cidade e exigem que o candidato mais votado, René Préval, seja reconhecido como vencedor à primeira volta.
Segundo os dados da organização do sufrágio, Préval obteve pouco mais de 48 por cento dos votos, facto que o obriga a nova disputa nas urnas, agendada para o próximo mês de Março, provavelmente com Leslie Manigat, que obteve cerca de 11,84% dos votos.
Também na segunda-feira, centenas de populares forçaram a entrada no Hotel Montana, onde se encontra parte dos funcionários e da logística da ONU. A tentativa acabou por ser gorada pela intervenção do bispo católico sul-africano e prémio Nobel da Paz, Desmond Toto, convidado a visitar o país e a fomentar um clima de «unidade e reconciliação nacional».
A revolta no Haiti contra a presença de tropas estrangeiras no país cresceu com a aproximação do acto eleitoral e avolumou-se com as suspeitas e denúncias de fraude.
No sábado, o responsável do Conselho Eleitoral, Jacques Bernard, recusou-se a divulgar os resultados estratificados por província e revelou apenas os totais nacionais. Os apoiantes de Préval indignaram-se e apresentaram testemunhos que indicam irregularidades durante a votação e a contagem dos boletins.
Segundo estes, vários boletins de voto foram encontrados no lixo, prova de que alguém está interessado em forçar uma segunda volta.

Ocalan em estado grave
De acordo com informações divulgadas, a semana passada, pelos seus advogados, o ex-líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, sofreu um enfarte e encontra-se em estado grave.
Ocalan cumpre pena de prisão perpétua num estabelecimento de elevada segurança por «traição» ao Estado turco, mas em face das condições de saúde, os representantes legais apelaram à sua libertação.