Os direitos não são oferecidos, são conquistados pela luta
Jerónimo de Sousa com operários em Aveiro
«Não há democracia sem trabalho com direitos»
Falando, terça-feira, em Santa Maria da Feira, à entrada da empresa corticeira Amorim & Irmãos, o candidato presidencial lembrou que a sua vida foi sempre marcada pela defesa dos trabalhadores. Esta atitude é, afirmou, um «ideal de vida». Aos trabalhadores, deixou uma certeza: a de que, «na vida e na luta» podem contar sempre com a sua presença.
Apresentado aos operários que se encontravam junto à empresa como o «candidato doutorado em trabalho», Jerónimo de Sousa apelou aos trabalhadores para que «liguem o voto à luta, aos direitos e às aspirações». Lembrando que o Presidente da República pode não governar nem fazer as leis, o candidato comunista destacou que este tem a obrigação de defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República, que, realçou, defende a segurança no trabalho e reconhece o direito à greve, à negociação colectiva e à liberdade sindical. Para Jerónimo de Sousa, o Presidente da República pode ter um papel mais activo na situação que se vive actualmente em Portugal, sobretudo quando se trata de defender os direitos dos trabalhadores.
Falando com os operários – entre os quais muitas mulheres –, o candidato comunista apelou à luta pela igualdade no trabalho, nomeadamente no respeito pelo princípio de a trabalho igual, salário igual. Ouvindo, por parte de muitas operárias, queixas de discriminação salarial naquela empresa, Jerónimo de Sousa afirmou que «nunca nenhum patrão deu alguma coisa aos trabalhadores». Foram os trabalhadores que conquistaram os direitos, disse Jerónimo de Sousa, estimulando as operárias a insistirem e intensificarem a sua luta pela igualdade salarial. «Se vocês se calam, eles não dão nada», assegurou o candidato.

Manter a EDP no sector público

A EDP, mais do que ficar em mãos nacionais, «importa é que fique no sector público tendo em conta o que diz a Constituição», afirmou, em Santa Maria da Feira, o candidato Jerónimo de Sousa. Em sua opinião, é necessário que continue a haver um «comando e uma responsabilidade do Estado no sector energético».
«O Presidente da República não deve só preocupar-se com a forma de gestão ou administração desta empresa», afirmou Jerónimo de Sousa, considerando que este tem de se preocupar com a forma como «vamos ficar com as alavancas fundamentais da nossa economia nacional» no sector público. Como aliás, a Constituição prevê, avançou.
Jerónimo de Sousa reagia assim a notícia de um jornal diário que anunciava que Jorge Sampaio teria recebido accionistas da eléctrica nacional e que se preparava para receber o ministro da Economia, Manuel Pinho.
Lembrando que o grupo parlamentar do PCP questionou já, por diversas vezes, o Governo acerca da entrada da Iberdrola nos órgãos sociais da EDP, Jerónimo de Sousa afirmou: «O Governo não nos respondeu na Assembleia da República, esperamos que responda ao Presidente da República e que o Presidente da República também aqui saiba ler a Constituição.» Para o candidato comunista, o Governo português não está a defender os interesses do País.


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