Comício CDU na Amadora
Alternativa com provas dadas
Mais de três centenas e meia de pessoas lotaram, domingo, o espaço da SFRAA, na Amadora, para reafirmarem que a cidade merece mais e melhor. A alternativa é a CDU, única força política que, como afirmou Jerónimo de Sousa na sua intervenção, constitui «um alento de esperança».
Sala cheia na Sociedade Filarmónica Recreio Artístico da Amadora (SFRAA), na freguesia da Falagueira, para ouvir os primeiros candidatos da CDU aos órgãos autárquicos do concelho. A iniciativa contou com a presença do secretário-geral do PCP, mas antes das palavras de confiança e determinação endereçadas por Jerónimo de Sousa aos militantes, activistas e apoiantes da CDU - e por intermédio destes a toda a população do concelho - o tempo foi de balanço do trabalho realizado pelos eleitos locais, das lutas travadas em prol dos interesses populares e de apresentação do projecto autárquico que se assume como a única e verdadeira alternativa para que a Amadora volte a ser uma cidade onde dê gosto viver e trabalhar.
O trabalho no concelho, ou melhor, a destruição dos postos de trabalho que durante décadas garantiram o pão e ali fixaram famílias inteiras, foi o primeiro tema abordado.
A escassas centenas de metros da zona industrial da Amadora, António Tremoço, cabeça de lista da CDU à Assembleia Municipal, lembrou a luta dos trabalhadores da ex-Sorefame. O activista sindical que desde à largos anos é o rosto e a voz de protesto dos operários daquela empresa lembrou que «os trabalhadores e a população já obtiveram uma grande vitória obrigando o Governo a comprometer-se com a manutenção de parte das instalações da unidade industrial», mas aproveitou para, mais uma vez, «apelar à solidariedade de todos, porque na quinta-feira (hoje), voltamos à porta da empresa para pressionar o Governo a fazer de novo naquela zona industrial um pólo de produção que sirva os interesses do País dando emprego qualificado a centenas de pessoas».
Muito embora o acento tónico da questão tenha sido, ao longo dos meses passados na luta, quase sempre colocado na necessidade que o País tem de manter activa a única fábrica capaz de produzir material circulante, o candidato não deixou de recordar que o projecto para a extensão da linha de metropolitano, subscrito pelo PS tanto no Governo como na autarquia, mais não faz do que «cortar a meio os terrenos da ex-Sorefame para mais facilmente destruírem o que resta e substituírem por betão armado, como aliás têm feito noutros pontos do concelho».
As «negociatas» e a expeculação imobiliária encontram-se na base do apetite voraz lançado contra os espaços remanescentes da zona industrial do concelho, mas «enquanto continuarmos a luta, não vai ser fácil destruir o que resta», acrescentou António Tremoço.
A terminar, o primeiro candidato à AM da Amadora não poupou críticas aos projectos fictícios propagandeados pelo actual executivo camarário. «Promessas de cartaz», como lhes chamou, que vão desde um túnel no Alto Maduro até à «tão prometida Biblioteca Piteira Santos. Milhares de euros gastos em propaganda com obras que ainda nem projecto têm», afirmou.

Compromissos para a verdadeira alternativa

É certo e amplamente reconhecido que os comunistas e os seus aliados não falham aos compromissos assumidos junto da população, por isso, foi com o à vontade de quem tem razões de sobra e obra realizada que João Bernardino, cabeça de lista da CDU à Câmara Municipal da Amadora, vincou as palavras de António Tremoço garantindo que «a CDU em maioria na Câmara estará em todos os momentos ao lado dos trabalhadores da ex-Sorefame, da MB Pereira da Costa ou da Sotancro, porque a Amadora precisa de emprego de qualidade e aqui o assumimos como um dos nossos compromissos».
O candidato sublinhou o orgulho da CDU «no muito que foi feito neste município de Abril» e reafirmou a vontade em «dar continuidade a este património» apresentando-se como «alternativa à actual governação da cidade» reconquistando para a Amadora «a qualidade de vida interrompida em 1997».
As propostas passam, segundo o candidato, por «uma Amadora com vida própria, que não seja um dormitório; que tenha iniciativas e cultura, e não subprodutos; requalificada urbanisticamente, com menos betão e mais qualidade de vida; onde o movimento associativo tenha o apoio que merece e a juventude se sinta bem encontrando trabalho, lazer e animação; uma Amadora desenvolvida economicamente; uma autarquia com trabalhadores dignificados nos seus salários e direitos, com uma gestão democrática, aberta aos cidadãos, onde os orçamentos sejam participados por toda a população; uma cidade com dimensão social abrangente onde a saúde esteja à disposição dos que dela necessitam, não seja um negócio como o do Hospital Amadora-Sintra. Por isso assumimos o compromisso de continuarmos a lutar pelo fim da gestão privada no Hospital que serve o nosso município». No fundamental, resumiu, «uma cidade onde dê gosto viver».

Três questões que acrescentam razão à CDU

Antes de dar lugar à intervenção de encerramento proferida por Jerónimo de Sousa, João Bernardino destacou ainda três matérias centrais cujo futuro também se joga nas eleições do próximo dia 9 de Outubro: «a questão da Quinta do Estado, a conclusão da CRIL e os terrenos do Estrela da Amadora».
«Quanto à Quinta do Estado – continuou - daqui dizemos ao senhor Vasco Pereira Coutinho que nós não vamos deixar que venha a fazer milhões de contos com o terreno em vez de nele ser construído um parque urbano para usufruto da população. Fomos muito claros nesta matéria: deve manter-se na posse do Estado e acolher um grande parque urbano com equipamentos que muita falta fazem a esta e às freguesias circundantes.
Em relação à CRIL, não queremos que seja feita contra os cidadãos da Amadora com a proposta que foi apresentada pelo actual executivo camarário. Queremos uma CRIL que respeite o Aqueduto das Águas Livres, que não emparede a freguesia de Alfornelos, que não faça passar dois grandes viadutos nas Portas de Benfica. Essa CRIL não queremos porque defendemos o traçado e as propostas feitas pelas populações, e elas podem contar connosco, antes como depois dos resultados eleitorais.
Também queremos dizer aqui, muito claramente, em sintonia com o que têm feito os nossos eleitos e manifestado as populações, que não queremos mais prédios na Reboleira. O projecto que existe de derrubar o estádio do Estrela e construir ali mais betão terá decididamente a nossa posição contrária».
No final, João Bernardino reiterou a confiança da CDU na capacidade das pessoas em escolher o melhor para a sua terra. «Está nas mãos dos eleitores uma Amadora melhor», concluiu.
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Jerónimo de Sousa reafirma confiança
«Só ganha quem acredita»<7font>


No encerramento da iniciativa, Jerónimo de Sousa começou por deixar aos participantes algumas palavras de estímulo para a batalha que anima todos os que pretendem uma alternativa credível para a Amadora.
Nas próximas duas semanas é preciso ouvir, esclarecer, informar, uma roda viva que, apesar da canseira, enche de orgulho centenas de pessoas unidas pelo trabalho, pela honestidade e pela competência que caracterizam a CDU.
Apesar do destaque dado a este esforço final, o secretário-geral do PCP não deixou de salientar o muito que nos últimos anos foi feito, «na defesa das empresas que aqui foram desaparecendo, liquidadas, destruídas, atirando milhares e milhares de trabalhadores para o desemprego, muitas vezes ficando também eles destruídos na sua vida pessoal porque não encontraram alternativas neste concelho».
As responsabilidades, já se sabe, são assacadas à política de direita seguida pelos sucessivos governos ao longo de mais de duas décadas. Políticas partilhadas pelo PS no concelho, por isso, importa «questionar a população da Amadora se valeu a pena trocar a CDU pelo PS». A resposta comprovada na prática é que «mais do que os homens, mais do tal ou tal candidato, tal ou tal presidente, vale a pena retomar um projecto de democracia participativa que considerou e continua a considerar como fundamental o respeito e a defesa dos direitos dos trabalhadores, que privilegia o interesse público acima do interesse privado, sempre ao lado dos trabalhadores e dos mais desfavorecidos», referiu.

Dois pesos, a mesma medida

Em tempo de dificuldades e vacas magras para os trabalhadores, há sempre quem apareça a sacudir a água do capote, por isso, Jerónimo de Sousa alertou ainda que «vale a pena reflectir sobre a política que o PS segue no concelho, mas também no País», e foi avisando que «não é possível proclamar, no poder local, uma política responsável, atenta aos problemas das populações, e depois, no poder central, fazer exactamente o contrário. Bem pode o presidente da Câmara dizer que está solidário com a luta dos trabalhadores da ex-Sorefame, se foi o seu partido que no Governo iniciou a privatização da empresa».
Mais, recordou Jerónimo, «é preciso lembrar que a primeira acção deste Governo foi convocar a polícia para reprimir os trabalhadores e a população que se manifestou em defesa do trabalho e da manutenção da empresa. Felizmente isso não aconteceu, mas a contradição tem que ser notada porque não se pode estar na Amadora com os trabalhadores e depois apoiar o Governo que está contra eles».
Exemplos como este alastram um pouco por todo o País, pelo que, o candidato presidencial do Partido fez notar que «estas eleições, sendo autárquicas, assumem outra dimensão, a de saber se é possível retomar o caminho do progresso».
A julgar pela tentativa do Governo em esconder as medidas mais gravosas cozinhadas no próximo Orçamento de Estado está para vir mais do mesmo, facto impossível de encobrir sequer por José Sócrates que, como clarificou Jerónimo de Sousa, «no seu estilo entre o petulante e o arrogante» prepara, «medidas ainda mais draconianas para os trabalhadores, mais cortes no financiamento e investimento público afectando por consequência as autarquias».
«Vai ser a continuação do não cumprimento das promessas em relação ao aumento dos postos de trabalho, à subida generalizada das reformas, mas depois vai prometendo como fez Barroso, Guterres e também Cavaco Silva», disse.

A esperança de quem luta

Para quem não acredita ser possível vencer barreiras e dificuldades, Jerónimo de Sousa exemplificou com uma luta bem próxima das gentes da Amadora. «Quantos não sentenciaram a morte da ex-Sorefame? Só aqueles trabalhadores acreditaram que era possível salvar os postos de trabalho e assumiram o que o nosso Partido muitas vezes afirma: quando se luta nem sempre se ganha, mas quando não se luta perde-se sempre. Eu creio que temos que levar esta mensagem também para a campanha eleitoral; porque temos um programa, um projecto e as ideias que servem os interesses da população. Porque nas horas boas e nas horas más estivemos ao lado dos trabalhadores, dos pequenos e médios empresários, dos agricultores e dos comerciantes, porque demos vós a quem não a temPor muito difícil que seja esta batalha na Amadora, uma coisa é certa, só ganha quem acredita que é possível ganhar», concluiu.


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