No 60º aniversário da Vitória sobre o nazi-fascismo
Lutar pela paz e defender a soberania nacional
As comemorações do 60.º aniversário da Vitória sobre o nazi-fascismo, revestem-se de particular importância e significado. Trata-se da necessária e justa evocação daquele que foi um dos acontecimentos mais marcantes do século XX, das suas vítimas, dos seus heróis e protagonistas. No actual contexto internacional de agressividade imperialista, elas deverão constituir ocasião para a reflexão e o debate sobre o quadro internacional em que se desencadeou a II Guerra Mundial, valorizando o papel das forças de Libertação, combatendo quaisquer tentativas de revisão da História e de branqueamento dos crimes fascistas, desmascarando a instrumentalização da efeméride para justificar e prosseguir hoje a estratégia imperialista de domínio planetário que está a conduzir de novo o mundo para o abismo.

O PCP sublinha a importância de lembrar os horrores da Guerra, com os seus mais de 50 milhões de mortos e terríveis destruições e sofrimentos. Crimes como os cometidos nos campos de concentração nazis ou com o lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima e Nagasaqui jamais devem ser esquecidos. Sublinha simultaneamente a importância que nos nossos dias assume a divulgação de realidades que a ideologia dominante procura questionar, ocultar ou mesmo subverter: as causas da II Guerra Mundial e a sua natureza imperialista e anti-comunista; o fascismo e o nazismo como força de choque do grande capital monopolista; a capitulação da burguesia e seus governos diante da ofensiva fascista, da Guerra Civil de Espanha à traição de Munique; o papel dos comunistas, do movimento operário e das massas trabalhadoras na Resistência popular e armada à ocupação fascista e na luta contra a guerra; a URSS socialista, o povo soviético e o Exército Vermelho como factor determinante da Vitória; a Carta das Nações Unidas e a própria ONU como expressão da nova ordem, fundamentalmente pacífica e antifascista resultante da derrota do nazi-fascismo e do militarismo japonês.

Passados 60 anos, na sequência do desaparecimento da URSS, das derrotas do socialismo no Leste da Europa e do enfraquecimento das forças do progresso social e da paz, pesam de novo sobre a Humanidade enormes perigos. O agravamento da crise do capitalismo; as gritantes injustiças e desigualdades provocadas pela globalização capitalista; a violenta ofensiva contra o movimento operário e suas conquistas; o exacerbar das funções repressivas do Estado, os crescentes ataques a direitos, liberdades e garantias fundamentais e a prática sistemática de humilhantes torturas; o avanço do obscurantismo, do racismo, da xenofobia e do fascismo; o recurso sistemático por parte dos EUA e outras grandes potências à agressão e à guerra contra países soberanos; a banalização da possibilidade de recurso à própria arma nuclear – tudo isto suscita as maiores inquietações e sublinha a actualidade das lições fundamentais dos acontecimentos de há 60 anos atrás.

Face ao agravamento da política agressiva do imperialismo, à persistência dos EUA na sua estratégia de domínio planetário e às hesitações e compromissos da social-democracia com o militarismo e a guerra, o PCP apela aos trabalhadores e ao povo português, às organizações unitárias e movimentos sociais para que reforcem o movimento da paz, consequente e interventivo, contra o imperialismo e a guerra e de solidariedade para com os povos que, como os povos do Iraque, da Palestina, de Cuba ou da Venezuela se encontram nas primeiras linhas do combate anti-imperialista.

O PCP confirma o seu compromisso de sempre com uma política externa independente, patriótica, firmemente orientada para a defesa da soberania e independência de Portugal. Só uma tal política, assente no espírito e na letra da Constituição de Abril e na mobilização esclarecida do povo português, pode defender e assegurar os legítimos interesses de Portugal e dos portugueses e contribuir para a construção de um mundo mais seguro, mais pacífico, mais eqüitativo e mais justo. O PCP chama a atenção para o facto de estarmos a assinalar esta data perante a ameaça da institucionalização, na União Europeia, da componente militarista e agressiva, através da chamada «Constituição europeia», pelo que exige do Governo e do Presidente da República que sejam asseguradas as condições para um verdadeiro debate nacional e alerta o povo português para a fraude que a anunciada coincidência do referendo com as eleições autárquicas constituiria.

O PCP, rendendo uma justa homenagem aos que sofreram e pereceram perante os horrores da II Guerra Mundial, e designadamente a todos os que combateram o nazi-fascismo, assinala a coragem, a determinação, a ousadia e a confiança de tantos que, mesmo quando parecia inevitável que a onda negra do fascismo varresse tudo à sua frente, nunca desistiram ou claudicaram na luta para livrar o mundo do caos e da barbárie.

A Comissão Política do Comité Central
do Partido Comunista Português



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