Breves
Setúbal
Durante a próxima semana, a União dos Sindicatos de Setúbal leva a cabo uma campanha de esclarecimento sobre a situação social no distrito e no País, e de mobilização para a jornada nacional de 10 de Novembro. Será feita a distribuição de documentos aos trabalhadores à população em todos os concelhos. Nas preocupações da estrutura distrital da CGTP-IN, como explicou Domingos Rodrigues ao Avante!, ganha particular relevo a situação na indústria naval, na Alcoa (ex-Indelma) e na Merloni (frigoríficos Ariston). No total, estão cerca de dois mil postos de trabalho ameaçados. Esta série de iniciativas termina no dia 29, em Setúbal. Dirigentes, delegados e activistas distribuirão documentos sindicais à população e vão depois ao encontro da governadora civil, para exigir intervenção do Governo que promova um verdadeiro combate ao desemprego, que atinge já mais de 40 mil pessoas no distrito.

Justiça
O apoio jurídico restringido e as custas judiciais a sofrerem um aumento acentuado, no novo regime legal, são factores que dificultam ou impedem mesmo o acesso dos trabalhadores ao Direito e aos tribunais. As críticas da CGTP-IN, incluídas numa queixa ao Provedor de Justiça, foram sexta-feira explicadas a Nascimento Rodrigues por uma delegação da central.

Reformados
Em Aveiro, dezenas de reformados manifestaram-se sexta-feira, reclamando nas ruas um aumento significativo de todas as reformas, que tenha em conta o real aumento do custo de vida, e uma mais justa distribuição da riqueza criada. O protesto culminou a 5.ª Conferência Distrital da Inter-Reformados, na qual foram aprovadas várias reivindicações ao Governo. Os trabalhadores, que através da Inter-Reformados, mantêm a sua ligação aos sindicatos após a aposentação, salientam que o aumento do custo de vida trouxe problemas adicionais a quem já enfrenta outros problemas, como a falta de apoio médico, as listas de espera e o preço dos medicamentos fixado pelos interesses das multinacionaisl.
Para 5 de Novembro, em Lisboa, está marcada a Conferência Nacional da Inter-Reformados.

Viagens VIP
A excursão a Marrocos, em que faleceu um administrador do Banco Totta, só foi conhecida da Comissão de Trabalhadores da Portugal Telecom porque foi objecto de notícias na comunicação social. A CT, em comunicado aos trabalhadores, revela que esta terá sido «a terceira excursão deste grupo de “amigos”», que incluiu sete dezenas de administradores da PT e de outras empresas e alguns autarcas. Os destinos foram o «circuito Porsche», na Alemanha, e o «circuito Ferrari», este «para conduzir um protótipo de Formula 1 da marca italiana (pago a peso de ouro)». Para a CT, «não se entende que haja um grupo de amigos VIP quase permanentemente em excursões», sem conhecido retorno comercial para a empresa. «Qual é a moralidade, para impor contenção de custos aos trabalhadores e esbanjar rios de dinheiro com uma pequena elite?» – questiona a CT, que promete revelar brevemente «mais algumas “brilhantes” medidas de gestão, incluindo admissões escandalosas».

Ortopedistas
Está uma nova greve marcada no serviço de Ortopedia do Hospital de Santo André, em Leiria. O Sindicato dos Médicos da Zona Centro convocou a luta para o período de 27 de Outubro a 6 de Novembro, pois continua a aguardar uma reunião prometida pela ARS do Centro para resolver o conflito que ali se arrasta. Recorda o sindicato que os oito ortopedistas daquele serviço querem pôr termo à «opressão ditatorial em que vivem diariamente». Esta será a sétima greve, num espaço de dois anos.

CGD
A greve de dia 29 na Caixa Geral de Depósitos teve a sua convocação reafirmada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Grupo CGD, após as declarações de Bagão Félix à comunicação social, sexta-feira passada. O ministro veio dizer que a luta teria sido desencadeada com base em notícias de jornais, acrescentando que a transferência do Fundo de Pensões da CGD para a Caixa Geral de Aposentações será apenas uma hipótese entre outras vinte. O titular das Finanças «mais não fez do que confirmar as preocupações dos trabalhadores», comentou o STEC, que ficou a aguardar de Bagão «que nos confirme, oficial e publicamente, preto no branco, que não vai lançar mão dessa medida».

Vishay
Despedir 130 pessoas é o que pretende a Vishay Electrónica, de Vila Nova de Famalicão, que ameaça deslocalizar cerca de metade da produção para a Índia, até Junho próximo. A Comissão de Trabalhadores e o STIEN/CGTP-IN admitem que a empresa quererá também retirar o equipamento de melhor qualidade da unidade portuguesa. Este problema foi levado esta semana aos grupos parlamentares do PCP e do PS pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Eléctricas do Norte.

Aveiro
A Florinhas do Vouga, uma instituição particular de solidariedade social sediada em Aveiro, decidiu mudar o local de trabalho de uma delegada sindical, sem o consentimento desta, o que viola o Código do Trabalho (artigo 457). A denúncia pública foi feita pela delegação regional do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, que salienta ter a instituição sido alertada também pela Inspecção do Trabalho. O CESP/CGTP-IN não reconhece «qualquer justificação funcional» na transferência e questiona as verdadeiras razões da decisão: «Será só para fazer vincar o poder da Direcção, enquanto entidade patronal, ou, mais grave, para afastar a delegada sindical de um posto de trabalho onde sindicalizou a maioria das trabalhadoras, que aderiram a cem por cento à última greve geral?»

Braga
Em Lamaçães, a Associação de Solidariedade Social apenas pagou, no dia 8, metade dos salários de Setembro, sem dar qualquer explicação às trabalhadoras, que «só não decidiram declarar greve de imediato, por consideração às crianças e aos pais». A delegação regional de Braga do CESP, em nota à comunicação social, refere que aquela instituição «ainda recentemente concluiu a construção de um edifício comparticipado com fundos comunitários, mas cuja Direcção tem vindo sistematicamente a não cumprir as regras estabelecidas, primando por uma actuação conflituosa e nebulosa». O sindicato reclama a intervenção da Segurança Social, «nomeadamente no sentido de exigir o cumprimento da legalidade em todas as vertentes». Continuava a ser admitido recorrer à greve, caso os salários não fossem pagos por inteiro nos próximos dias.