Novo Governo agravará ofensiva
Tenacidade e confiança
O que se perspectiva para os trabalhadores exige que prossiga «com tenacidade e confiança a denúncia das políticas conservadoras e do populismo», comentou a CGTP-IN.
Numa «primeira e rápida apreciação», que divulgou logo que foi conhecida a composição do Governo que Santana Lopes iria propor ao Presidente da República, a Intersindical Nacional considerou que, pela sua estrutura e composição, confirma-se que «estaremos perante um aprofundamento das políticas e práticas neo-liberais que continuarão a impor e agravar os penosos sacrifícios aos trabalhadores e ao povo português».
Olhando os ministérios-chave, a CGTP nota «o reforço de posições do poder económico e financeiro».
«Uma autêntica provocação ao mundo do trabalho» é a eliminação do Ministério do Trabalho, «opção profundamente neo-liberal e retrógrada, inaceitável». A central afirma que «a subordinação do trabalho e do emprego à economia comprova a desvalorização das políticas do emprego e do trabalho, numa lógica de que os trabalhadores constituem meras peças da engrenagem da “competitividade” e do lucro». Por outro lado, a constituição de um Ministério chamado da Segurança Social, da Família e da Criança «indicia políticas sociais meramente assistencialistas e populistas e perigosamente desligadas da valorização do trabalho».
O Governo constitui-se de imediato na comissão eleitoral da coligação PSD/PP, conclui a central, quanto à estrutura do Governo e à escolha de «alguns ministros para determinados ministérios».
Com «profunda preocupação», a Inter encara o facto de estar «em marcha o aprofundamento das alterações estruturais à sociedade portuguesa», o que significará que, num eventual período de crescimento económico, «os mecanismos da formação e distribuição da riqueza estarão de tal forma alterados que a esmagadora maioria dos portugueses não beneficiará» disso.
«Perante tudo isto, mais não resta aos trabalhadores e às suas organizações que prosseguir com tenacidade e confiança a denúncia das políticas conservadoras e do populismo e intensificar a luta por um Portugal de justiça social, de liberdades e de democracia», conclui a central.

Educação

A nova ministra da Educação não é conhecida, nem é conhecido trabalho realizado nesta área. Em conferência de imprensa, a Fenprof comentou que Maria do Carmo Seabra, «não conhecendo, seguramente, os problemas da Educação que afectam o país, tem pela frente alguns dossiers complexos deixados pela anterior equipa e sobre os quais urge dar resposta». Manifestando preocupação quanto ao facto de a mudança ocorrer a dois meses da abertura do ano lectivo, a federação destacou, dos problemas mais urgentes, os concursos de professores e a abertura do ano lectivo, os agrupamentos de escolas, o Estatuto da Carreira Docente e a reformulação da proposta de Lei de Bases da Educação vetada pelo PR.

Saúde

A permanência de Luís Filipe Pereira à frente do Ministério da Saúde revela uma insistência numa política a favor dos grandes grupos económicos. Um dirigente da Federação Nacional dos Médicos, citado pela Lusa, lembrou também que, nos últimos dois anos, a política levada a cabo neste sector levou à progressiva desorganização e diminuição da qualidade global dos cuidados de saúde. O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, por seu turno, anunciou para hoje uma conferência de imprensa, para reafirmar a exigência de alteração das políticas de saúde, para que seja possível responder a problemas como a falta de enfermeiros e a degradação das suas condições de trabalho.

Transportes

A Festru/CGTP-IN não espera que o novo ministro altere a política altamente negativa do anterior ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações. Um dirigente da federação adiantou à Agência Lusa que deverá continuar a política de degradação do sector, colocando a componente económica à frente da social. Reafirmou as preocupações sindicais face à reestruturação da Carris e voltou a exigir que as autoridades metropolitanas de transportes entrem rapidamente em funcionamento, mas com representação das autarquias locais e dos trabalhadores das empresas transportadoras.


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