Em Setúbal e no País
Políticas europeias agravam situação
As políticas neoliberais dominantes na Europa, aliada ao seguidismo do Governo PSD/CDS-PP em relação ao Pacto de Estabilidade e Crescimento, está a ter graves consequências sociais na Península de Setúbal, afirma a Direcção da Organização Regional de Setúbal (DORS) do PCP, em nota de imprensa do passado dia 28 de Abril. Os comunistas lembram que a «propagandeada “Estratégia de Lisboa”, concebida numa perspectiva de alargamento do campo de actuação do capital financeiro às áreas sociais até aí da responsabilidade pública», tem levado à destruição de decisivos instrumentos de protecção social dos trabalhadores.
Passados quatro anos da aprovação da «Estratégia de Lisboa», é abissal a distância que separa as intenções anunciadas das realidades concretas que são vividas, denuncia a DORS. Se, no plano social, a «Estratégia de Lisboa» propunha-se a «facilitar a participação no emprego e o acesso a todos os recursos, direitos e serviços», o que se verifica é o contrário. O mesmo acontece observando o segundo objectivo da «Estratégia de Lisboa», a prevenção dos riscos de exclusão. Quanto ao terceiro objectivo apregoado, «ajudar os mais vulneráveis», a situação não é diferente, acusam os comunistas.

Realidades

• O desemprego aumentou mais de 50 por cento em dois anos, atingindo quase meio milhão de trabalhadores. No distrito, em Março deste ano, atingia já as 43 mil pessoas;
•1 milhão e setecentos mil idosos com mais de 65 anos vivem com menos de 2 500 euros por ano;
• 1 milhão e duzentos mil portugueses não tem médico de família. Em Setúbal, esta situação atinge cerca de 20 por cento da população do distrito, sendo a pior situação do País;
• O abandono escolar precoce é o pior da Europa, atingindo 41 por cento dos jovens entre os 18 e os 24 anos;
• 2 milhões e 200 mil trabalhadores perderam poder de compra entre 2002 e 2003;
• As despesas com habitação, água, electricidade e gás, que representam em média 20 por cento do orçamento familiar, tiveram aumentos superiores à inflação;
• Portugal conta com mais de 2 milhões de pobres. Ao milhão e 700 mil idosos com rendimentos inferiores a 2 500 euros/ano, juntam-se 200 mil trabalhadores com salário mínimo de 365 euros mensais e 300 mil pessoas com um rendimento social de inserção que se fica pelos 152 euros por adulto;
• Ao mesmo tempo, são abandonados programas de apoio social e de combate à pobreza.


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