A nossa Lei Fundamental não deve subordinar-se à dita «Constituição Europeia»
Primeiro-Ministro sob o fogo das críticas no debate mensal
O desgoverno do País
Os partidos da oposição responsabilizaram o Governo pelo agravamento da situação económica e social. Foi no debate mensal com o Primeiro-Ministro, com o PCP a exigir a «mudança do condutor» do País.
O alargamento da União Europeia, escolhido pelo Governo como tema de fundo, na véspera em que aquele se formalizou, acabou por submergir face a outras matérias que saltaram para primeiro plano do debate realizado na passada semana, como foi o caso do défice, da dita constituição europeia ou do Iraque.
«Portugal é hoje um carro com os pneus em baixo e os faróis estragados que, quando vier a retoma, não terá condições para arrancar, sublinhou o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares.
«É preciso mudar o condutor e recuperar o carro», enfatizou o deputado comunista, numa referência explícita à necessidade de mudar de governo, depois de lamentar que a União Europeia não penalize, assim como os défices excessivos, factores como a «diminuição do investimento público» ou a «destruição do aparelho produtivo».
«Diz que a Comissão Europeia confia na palavra do Governo português, mas cada vez menos portugueses confiam na palavra do Governo», observou ainda Bernardino Soares, numa alusão às palavras de congratulação antes proferidas por Durão Barroso sobre a decisão de Bruxelas de levantar o procedimento contra Portugal por défice excessivo.
Questão aliás aproveitada pelo Primeiro-Ministro para dizer que em 2005 haverá aumentos reais nos salários dos trabalhadores da administração pública, em paralelo com a aceleração do processo de convergência das pensões mínimas com o salário mínimo nacional e com uma redução dos impostos.
Palavras que motivaram uma dura reacção de repúdio e indignação por parte do Secretário-Geral do PCP, Carlos Carvalhas, aconselhando Durão Barroso «a não ser mentiroso, demagogo e provocador» quando anuncia os aumentos de salários e pensões para 2005 e lamenta hipocritamente os sacrifícios exigidos aos portugueses nos últimos anos.
«Julga que os sacrifícios dos trabalhadores da Bombardier são iguais aos dos assessores dos ministros da Defesa e da Justiça, que têm ordenados principescos», interrogou Carvalhas, que no debate introduziu também a questão do Iraque para perguntar ao chefe do governo se não entende que a GNR deveria sair daquele país por forma a, com esse gesto, «servir os interesses de Portugal» e «dar credibilidade» ao nosso País em futuras negociações de paz.
Carvalhas acusou ainda Barroso de ser um seguidor acéfalo da administração norte-americana - «O senhor Bush diz e o senhor faz», afirmou - , e, tomando posição sobre a revisão do Tratado considerou que a «nossa Constituição não deve ficar subordinada à dita "Constituição Europeia"».
Realce ainda no debate para a azeda troca de palavras entre o primeiro-ministro e o deputado Francisco Louçã (BE) sobre o financiamento da Caixa Geral de Depósitos (CGD) à candidatura do grupo norte-americano Carlyle para a compra de 45 por cento da GALP.


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