Coimbra mais pobre
O distrito de Coimbra está a ser fortemente afectado pela política de destruição da riqueza nacional e de agravamento dos problemas sociais, denunciou a Direcção da Organização Regional de Coimbra do PCP em conferência de imprensa, realizada no dia 14. Os comunistas lembram que o desemprego aumentou 23 por cento entre Novembro de 2003 e igual período do ano anterior. Segundo o Instituto de Emprego e Formação Profissional de Coimbra, havia nessa altura 15 565 desempregados no distrito. Hoje, serão mais.
A DORC acredita que o ano de 2004 «não perspectiva nada de melhor». Pelo contrário, o PCP prevê que em 2004 a situação social no distrito sofra novos agravamentos. Os comunistas lembram que, no sector industrial, são muitos os postos de trabalho destruídos ou em risco de desaparecer.
A situação dos trabalhadores das indústrias de cerâmica é particularmente grave. Na Estaco, os duzentos trabalhadores despedidos em 2001 esperam ainda o pagamento das indemnizações devidas, num valor da ordem dos 6,5 milhões de euros. Na Cerâmica Conímbriga, os trabalhadores estão com três meses de salários em atraso. Já na Berardos, que enfrenta uma ordem de despejo movida pelo proprietário dos terrenos em que se situa a empresa, os trabalhadores permanecem concentrados junto às instalações da fábrica, em luta pelo pagamento dos salários em atraso. A Cerâmica Apolo foi vendida a um grupo italiano e despediu já 30 dos 50 trabalhadores que empregava.
Também no sector público, a política de privatizações «põe em causa direitos de milhares de trabalhadores», denuncia o PCP. O Instituto de Gestão Informática e Financeira de Saúde foi encerrado por decreto do Governo e os seus quarenta trabalhadores fazem agora parte dos «supra-numerários» da Função Pública. Igualmente no desemprego ficaram os cinquenta funcionários da Direcção-Geral de Instalação e Equipamento de Saúde, igualmente extinta pelo Governo.
O PCP denuncia ainda a falta de cerca de trezentos enfermeiros no Centro Hospitalar de Coimbra, que despediu recentemente oito enfermeiros contratados a prazo, devido à imposição do Governo de não permitir a passagem desses profissionais à situação de efectivos.


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