OSCE critica eleições na Rússia
A missão de observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e da Assembleia Parlamentar do Conselho de Europa levantaram, segunda-feira, dúvidas sobre a transparência do acto eleitoral na Rússia.
«As eleições para a Duma de 7 de dezembro de 2003 não respeitaram muitas das obrigações assumidas pelos países membros da OSCE e o Conselho da Europa», afirma o relatório dos observadores difundido pela agência Interfax.
Segundo o documento, esta situação «levanta dúvidas sobre a intenção da Rússia de avançar em sintonia com os critérios europeus do que são umas eleições democráticas».
De acordo com os observadores internacionais, «o recurso maciço aos favores do aparelho de Estado e da comunicação social» em benefício do partido do presidente Vladimir Putin «criou um clima desfavorável para os outros partidos.
«O princípio do tratamento igual para todos foi violado», afirmou mesmo o chefe da missão da OSCE, Bruce George, para quem estas eleições marcam uma «regressão da democracia» na Rússia.

«Farsa vergonhosa»

Também o dirigente do Partido Comunista russo, Guennadi Ziuganov, denunciou o processo eleitoral, classificando as eleições de uma «farsa vergonhosa».
«Esta farsa vergonhosa que nos mostram agora nada tem a ver com a democracia», afirmou Ziuganov em declarações à imprensa, na sede do partido.
«Todos vocês participam neste espectáculo repugnante que foi chamado, não sei por quê, de eleições», declarou o dirigente comunista, citado pela Interfax, quando começaram a ser divulgados os resultados, sem no entanto ter chegado a falar abertamente em «fraude» eleitoral.
O partido de Putin, Rússia Unida, conquistou 37,1 por cento, o que lhe confere 222 dos 450 lugares na Duma, a câmara baixa do parlamento russo. Juntamente com os seus aliados naturais - o Partido Liberal Democrático e o bloco Pátria, criado pelo Kremlin para dividir os comunistas -, que obtiveram respectivamente 50 e 36 lugares, o partido do poder ultrapassa o número de lugares necessários (300) para, se o desejar, proceder a alterações na Constituição.
A principal vítima destas eleições foi o Partido Comunista, que viu a sua votação descer de 24,29 por cento em 1999 para os actuais 12,7 por cento, e o número de deputados reduzido a metade, para 53 lugares.
Em queda livre entraram os partidos Iabloko e a União das Forças de Direita, que não atingiram os 5 por cento necessários para conseguir representação parlamentar.
Nas eleições de domingo também a afluência às urnas voltou a descer, passando de 62 por cento em 1999 para cerca de 50 por cento.
As críticas, a que se juntaram também os EUA, não abalaram Putin, para quem as eleições foram «livres, honestas, abertas e democráticas».
A satisfação o presidente russo foi no entanto abalada na terça-feira por mais um atentado suicida. Uma mulher fez explodir uma viatura perto da Praça Vermelha, em Moscovo, matando cinco pessoas e ferindo 13. Na semana passada, pelo menos 40 pessoas morreram noutro atentado bombista a um comboio no sul do país.


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