Crianças latino-americanas vítimas da pobreza
Um relatório da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) divulgado a semana passada em Cuba revela que 67 por cento das crianças latino-americanas encaram o futuro com pessimismo.
O documento, apresentado no Encontro Internacional sobre Protecção Jurídica e Direitos do Menor, que reuniu em Havana mais de 200 delegados de 15 países da região, informa ainda que 25 por cento das crianças vive em lares violentos.
Segundo os dados da Unicef, anualmente, mais de 6 milhões de crianças e adolescentes latino-americanos sofrem agressões graves. Desse total, 80 mil morrem vítimas de violência doméstica, considerada uma das primeiras causas de morte na região entre os menores de 14 anos.
As consequências desta situação são tanto mais dramáticas quanto se sabe que a maioria do cérebro se desenvolve nos primeiros 36 meses de vida, pelo que os danos ou benefícios ocorridos nesse período influem de forma decisiva no futuro das crianças e, consequentemente, no futuro dos respectivos países.
Para além dos maus tratos, que segundo os dados de organismos internacionais afectam uma em cada quatro crianças na América Latina, elas são também as principais vítimas da pobreza: em todo o mundo, cerca de mil milhões de crianças vivem na mais extrema pobreza.
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentados no encontro mostram que 190 mil crianças latino-americanas morrem anualmente por causa da extrema pobreza, 22 milhões de adolescentes maiores de 14 anos trabalham sob exploração e 300 mil vivem nas ruas expostos à prostituição. O fórum, que se realizou pela segunda vez em Cuba, foi apoiado pela Procuradoria Geral da República e pelo Instituto de Desenvolvimento e Investigação do Direito da ilha.


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