PAC agrava agricultura familiar
Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, a quebra do rendimento agrícola nacional foi de 5,5 por cento. «Trata-se de uma avaliação por baixo», afirma, em nota à comunicação social a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
«As quebras reais dos rendimentos são maiores que as assinaladas pelas estatísticas, e são-no nomeadamente para as explorações agrícolas familiares, desde logo porque, nestas, não entram em cálculo os custos com a mão-de-obra», continuam os agricultores, sublinhando que «as explorações familiares, de facto, apenas recebem uma "migalhas" das ajudas da Política Agrícola Comum (PAC)».
Segundo os mesmos, «a continuada baixa do rendimento agrícola é fruto da PAC e, também, de opções erradas em termos de políticas agrícolas nacionais. A consequência é a ruína da agricultura familiar e do mundo rural português».
Uma das linhas fundamentais da recente reforma da PAC é o acentuar da liberalização das trocas comerciais, numa União Europeia a 25 estados membros e, nomeadamente até, no âmbito da Organização Mundial do Comércio.
«Neste contexto, Portugal vai ser cada vez mais "invadido" pelas importações sem controlo e da má qualidade», acusa a CNA, salientando ainda que «vão baixar os preços à produção nacional, vão manter-se em baixa os rendimentos das explorações familiares e irá agravar-se o já insustentável défice agro-alimentar do nosso País».
Entretanto, no sentido de alertar o Presidente da República para este problema, a CNA reuniu-se, segunda-feira, com Jorge Sampaio. A crise da Casa do Douro e da vitivinicultura familiar, os altos custos das prestações mensais dos agricultores para a Segurança Social e o regadio do Alqueva foram outros dos problemas debatidos no encontro.


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